Projecto hidroeléctrico de Mpanda Nkuwa é viável em termos ambientais

7 August 2011

Maputo, Moçambique, 8 Ago – O projecto hidroeléctrico de Mpanda Nkuwa é viável em termos ambientais, informaram em Maputo os responsáveis do consórcio Coba – Consultores de Engenharia e Ambiente/Avaliações de Impacto Ambiental (Impacto)/Environmental Resources Management (ERM).

A coordenadora do Estudo do Impacto Ambiental da Hidroeléctrica de Mpanda Nkuwa, Inês Guerra, disse que um dos aspectos positivos da construção da barragem é a ocorrência de 3 mil postos de trabalho durante a construção do empreendimento, que deverá levar 56 meses ou cerca de 4 anos e meio.

“Já na fase de exploração, operação e manutenção da hidroeléctrica serão mantidos cerca de 200 trabalhadores que irão viver na vila residencial a ser construída e que será dotada de infra-estruturas adequadas”, disse.

No que respeita aos impactos negativos, Inês Guerra referiu-se, entre outros aspectos, às escavações que serão feitas junto ao rio Zambeze, a deslocação das populações locais, bem como a variação do caudal do rio, que resultará da operação da barragem.

“Todavia, há várias medidas que podem ajudar a minimizar os impactos negativos. O estudo aponta, por exemplo, a necessidade de adopção de sistemas de protecção da faina e do resgate em caso de subida do nível das águas e planos de transferências de espécies vegetais, entre outras”, disse Inês Guerra.

Por seu turno, Chris Hartnady, consultor da Umroto África (Pty), a empresa contratada para analisar os impactos sísmicos do empreendimento, disse que, embora o projecto seja viável, “há necessidade de se aprofundar os estudos sismográficos”, uma vez que a quantidade de água que a hidroeléctrica irá movimentar pode propiciar a ocorrência de sismos.

Um dos elementos que dinamizou o projecto da hidroeléctrica foi a constatação de que o abastecimento de energia eléctrica, tanto em Moçambique como nos países vizinhos, tem-se tornado crítico nos últimos anos.

Moçambique, actualmente com uma capacidade de pico de 600 MW (sem considerar a procura de 950 MW da Mozal), está a ter um aumento cada vez maior da procura e as projecções médias mostram que serão necessários 1554 MW até 2020 para satisfazer as necessidades da população, sem considerar indústrias de uso intensivo de energia.

O projecto hidroeléctrico de Mpanda Nkuwa ficará localizado na província de Tete, 70 quilómetros a jusante do aproveitamento hidroeléctrico de Cahora Bassa, deverá gerar 1 500 megawatts de energia eléctrica a ser consumida internamente a exportada para os países da região e a sua construção custará 2 mil milhões de dólares. (macauhub)

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