Governo de Moçambique colocou 60 mil km2 à disposição dos agricultores do Brasil

14 August 2011

São Paulo, Brasil, 15 Ago – O governo de Moçambique está a oferecer grandes extensões de terreno a preço simbólico a agricultores brasileiros para a produção de soja, milho e algodão, disse ao jornal Folha de São Paulo o ministro moçambicano da Agricultura, José Pacheco.

“Os agricultores brasileiros têm uma experiência acumulada que é bem-vinda”, disse Pacheco, para acrescentar “queremos repetir em Moçambique o que eles conseguiram fazer no cerrado brasileiro há 30 anos”.

O ministro informou ainda que serão colocados à disposição dos agricultores brasileiros 6 milhões de hectares (60 mil quilómetros quadrados) em quatro províncias do norte de Moçambique para exploração em regime de concessão por um período de 50 anos renováveis por mais 50 contra o pagamento de uma renda anual de 37,50 meticais (21 reais) por hectare.

O presidente da Associação dos Produtores de Algodão de Mato Grosso, Carlos Ernesto Augustin, disse ao Folha de São Paulo que as terras moçambicanas são muito semelhantes às do interior do Brasil, com a vantagem do preço e da facilidade de obter licenças ambientais.

“Moçambique é um Mato Grosso no meio da África, com terras de graça, sem tantos impedimentos ambientais, com o custo do frete até à China muito mais barato (…) Hoje, além de terra estar caríssima no Mato Grosso, é impossível obter licença de desmatamento e limpeza de área”, declarou Augustin ao jornal.

A China é o principal cliente mundial da soja produzida no Brasil e um importante comprador de outros produtos agrícolas brasileiros.

Segundo o jornal de São Paulo, uma delegação de 40 agricultores brasileiros vai deslocar-se em Setembro próximo a Moçambique para analisar os terrenos disponíveis nas províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia. (macauhub)

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