Países africanos de língua oficial portuguesa deviam 1764 milhões de euros a Portugal no final de 2010

19 September 2011

Lisboa, Portugal, 20 Set – A dívida dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) a Portugal atingiu 1764 milhões de euros (2407 milhões de dólares) no final de 2010, informou segunda-feira em Lisboa o Banco de Portugal.

Face a 2009, a dívida de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe no final de 2010, que registou o maior crescimento dos últimos 15 anos, aumentou 12,9% ou 201 milhões de euros em termos reais, salientou o banco central português num documento sobre a evolução das economias nos PALOP e em Timor Leste.

Os dados do BdP foram publicados no mesmo dia em que delegações dos bancos centrais dos países de língua portuguesa participaram, em Lisboa, no seu encontro anual, para discutir temas da agenda da próxima reunião do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial e outros assuntos de cooperação.

O XXI Encontro de Lisboa entre as delegações dos bancos centrais dos países de língua portuguesa à Assembleia Anual do FMI e Banco Mundial é organizado pelo Banco de Portugal.

De acordo com o documento, Angola era, dos cinco países, aquele com a maior fatia da dívida, cerca de 60%, equivalente a 1056 milhões de euros, tendo o aumento anual sido de 62 milhões de euros.

Moçambique era o segundo país com o maior valor total de dívida ao Estado português, tendo registado um aumento de 65 milhões de 2009 para 2010, crescimento que resultou da utilização de linhas de crédito acordadas em 2008 e 2009 para financiamento de projectos de investimento e infra-estruturas no país.

Cabo Verde, o terceiro dos PALOP com maior percentagem de dívida a Portugal, foi o que registou o maior crescimento real, em 72 milhões de euros face a 2009, “um novo e significativo aumento”, salientou o supervisor bancário no relatório, o que fez o total da dívida subir para 196 milhões de euros.

Guiné-Bissau não registou “qualquer desembolso ou amortização”, tendo-se observado apenas uma redução de sete milhões de euros devido à apreciação do dólar face ao euro.

A dívida oficial de São Tomé e Príncipe aumentou em 12 milhões de euros, para 49 milhões de euros. (macauhub)

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