Indústria de Angola tem capacidade para substituir a importação de bebidas

21 March 2013

Angola pode reduzir o actual volume de importação de bebidas, avaliado em 60 mil milhões de kwanzas por ano, caso seja aproveitada a capacidade instalada da indústria nacional, estimada em cerca de três mil milhões de litros por ano, de acordo com uma estimativa da Associação Industrial de Angola (AIA).

Em comunicado citado pelo Jornal de Angola, a AIA afirma que a indústria nacional de bebidas é responsável por mais de 12 mil postos de trabalho directos e tem capacidade de distribuição pelo território nacional, quer através de meios próprios, quer através da rede de agentes e distribuidores.

Na nota, a AIA sublinha que a substituição de importações no sector das bebidas pode ter um impacto significativo a nível do descongestionamento dos portos, com milhares de contentores por ano a deixarem de chegar a Angola carregados de bebidas.

Recentemente, a ministra da Indústria, Bernarda da Silva, apontou 2017 como o prazo limite para a auto-sustentabilidade do país em termos de bebidas, dizendo que o governo tem estado a trabalhar na protecção da indústria nacional, tendo em vista a redução das importações, nomeadamente de bebidas alcoólicas, refrigerantes, águas e sumos.

Para a protecção da produção de bebidas, declarou a ministra, estão em curso iniciativas que, em pouco tempo, vão fazer com que o país deixe de as importar nas quantidades actuais.

Em 2012, o Governo angolano agravou as taxas aduaneiras sobre os produtos importados para, de acordo com a ministra, “reduzir a dependência do exterior, diversificar a economia e aumentar os postos de trabalho disponíveis.”

No passado recente, o governo de Angola tem apostado forte no relançamento da indústria, com a abertura de pólos industriais em diferentes províncias.

No final de 2011, nasceu a Zona Económica Especial (ZEE) Luanda/Bengo, com o objectivo de criar uma base económico-social sustentável e um eixo regional de desenvolvimento que constituiu um marco significativo no relançamento da produção interna de bens e serviços.

Com a ZEE, surgiram as primeiras oito unidades fabris no local, visando a diversificação da economia nacional e uma maior competitividade no mercado de bens e serviços, concretamente a Angolacabos (cabos de fibra óptica), Inedu Plastic (produção de plásticos), Indutize (fábrica de tintas e vernizes), Mateletrica (vocacionada ao fabrico de material eléctrico), Mangoeal (construtora de torres metálicas), Pivangola (especializada na irrigação agrícola), bem como a Pipeline Angola e a Vedatela, fabricantes de tubos, vedações e arames.

Estendendo-se sobre uma área de 8500 hectares, a ZEE compreende os municípios de Viana, Cacuaco e Icolo e Bengo, na província de Luanda, Dande, Ambriz e Nambuangongo, na província do Bengo.

A obra que dá corpo e estrutura a um dos principais objectivos estratégicos do governo que consiste na diversificação das fontes de rendimento da economia do país e a criação de grupos económicos nacionais fortes e competitivos em vários domínios da economia.

O projecto prevê a construção de 73 fábricas e tem o pendor de oferecer e gerir espaços infra-estruturados e de serviços, para que, até 2015, Angola seja a primeira escolha na instalação de indústrias e outros negócios.

A par da ZEE, outras iniciativas estiveram em curso nos pólos industriais de Fútila (Cabinda), do Soyo (Zaire), da Catumbela (Benguela) e da Matala (Huíla), na zona mineiro-industrial de Cassinga (Huíla) e no perímetro agro-industrial de Pungo-Andongo (Malange).

No sector da indústria têxtil, vestuário e calçado, a indústria angolana deu os primeiros passos com o relançamento da cultura e de algodão, a recuperação e desenvolvimento da produção têxtil, para dar lugar às fábricas de tecidos da Textang II, em Luanda, a África Têxtil, em Benguela, e a Satec, no Dondo, empreendimentos paralisados há mais de 20 anos. (macauhub)

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