Metade das empresas cotadas não-financeiras de Portugal tem dívida em excesso

17 April 2013

Cerca de metade das empresas cotadas não-financeiras de Portugal está excessivamente endividada, o que constitui um obstáculo significativo à recuperação da economia, alertou quarta-feira em Washington o Fundo Monetário Internacional (FMI).

No documento “Global Financial Stability Report”, o FMI qualifica de “considerável” o número de empresas que subsistem com níveis “elevados e insustentáveis” de endividamento na periferia do euro, em especial em Portugal e em Espanha.

Nos cálculos relativos a Portugal, com base no universo das empresas não-financeiras cotadas em bolsa, o FMI afirma que 45% das 41 cotadas portuguesas estão fortemente endividadas, o que compara com pouco mais de 10% em França e menos de 5% na Alemanha.

“As empresas da periferia da Zona Euro acumularam uma dívida considerável durante os anos de expansão do crédito, embaladas pela expectativa de lucros elevados e condições de crédito fáceis e agora enfrentam o desafio de reduzir o excesso de dívida num contexto de menor crescimento e de taxas de juros mais elevadas, em parte relacionadas com a fragmentação financeira na Zona Euro”, pode ler-se no relatório.

No caso das empresas portuguesas, o FMI estima que o seu nível de endividamento médio ascenda a 48% do valor dos activos e aconselha a redução do endividamento para 35% ou, num cenário mais prudente, para valores na casa dos 28% a fim de regressarem a uma posição financeira mais sustentável.

Os técnicos do Fundo Monetário Internacional defendem que as empresas mais endividadas devem avançar rapidamente com programas que lhes permitam uma rápida redução da dívida, nomeadamente através da venda de activos (como os detidos fora do país de origem), redução dos custos operacionais e do valor dos dividendos pagos aos accionistas. (macauhub)

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