Pobreza em Moçambique difícil de ser reduzida apesar do crescimento económico

27 May 2013

A economia de Moçambique manteve-se inalterada em termos estruturais, o que limita a sua capacidade para reduzir a pobreza, não obstante o elevado e sustentado crescimento económico registado em mais de uma década, de acordo com o African Economic Outlook, segunda-feira divulgado em Marrocos.

O relatório, elaborado pelo Banco Africano para o Desenvolvimento, OCDE, Comissão Económica de África e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, adianta que o governo de Moçambique terá de reforço o quadro institucional a fim de aumentar a colecta de receitas, gerir de uma forma adequada a dívida pública e melhorar a planificação dos investimentos.

Com um crescimento económico de 7,4% em 2012, Moçambique deverá registar taxas de crescimento de 8,5% este ano e de 8% em 2014, devido ao acréscimo progressivo na extracção e exportação de carvão, execução de grandes projectos de infra-estruturas e expansão do crédito ao sector privado.

No entanto, o investimento público e a quebra registada nos montantes de ajuda internacional, vão fazer aumentar a pressão sobre as contas públicas, com o défice orçamental a piorar de 8,2% no ano passado para 9,2% este ano e para 9,5% em 2014.

O documento assinala ainda que apesar de os grandes projectos não estarem a ter um impacto significativo nas receitas estatais, Moçambique deve chegar a 2025 já integrado nas economias de rendimento médio.

No caso de Angola, o documento refere que o ambiente de negócios mantém-se difícil devido a instituições infra-estruturas insuficientes, embora a criação do Fundo Soberano venha ajudar a proteger a economia da volatilidade dos preços do petróleo.

Salientando os progressos obtidos em diversos indicadores do desenvolvimento humano, o relatório divulgado em Marraquexe salienta que Angola continua a fornecer apenas uma rede rudimentar de segurança social sob a forma de subsídios a combustíveis.

Este ano a economia de Angola deverá registar um crescimento de 8,2% que baixará ligeiramente para 7,8% em 2014, depois de ter recuperado do efeito das crises financeira e económica mundial.

Contrariamente aos restantes países de língua portuguesa, Angola, que em 2012 teve um saldo orçamental de 7,8% do Produto Interno Bruto, deverá este ano ver esse saldo baixar para 4,8% e para 3,5% em 2014. (macauhub)

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