Moçambique pretende angariar financiamento adicional para desenvolver o programa ProSavana

30 May 2013

O governo de Moçambique pretende obter financiamento adicional para dinamizar o programa ProSavana, a ser desenvolvido nas províncias de Nampula, Niassa e Zambézia, com financiamento e apoio técnico do Japão e do Brasil, disse em Yokohama o ministro da Agricultura.

Pretendendo reproduzir em Moçambique o êxito obtido pelo Brasil na transformação do chamado cerrado em terrenos agrícolas, o ProSavana deverá ter influência directa na vida de 4 milhões de cidadãos moçambicanos que vivem na zona abrangida pelo Corredor de Nacala.

O ministro José Pacheco adiantou que o Japão já concedeu 38 milhões de dólares para financiar as componentes de investigação, extensão e formulação do plano-director do ProSavana.

“Esses recursos vão permitir também a montagem de laboratórios na região norte para apoiar a agricultura, fundamentalmente para a realização de análise de solos, avaliação de doenças de diferentes culturas e de animais”, disse o ministro, que adiantou estar o grosso do financiamento dependente da conclusão do respectivo plano-director.

José Pacheco, que se encontra no Japão na comitiva oficial de Moçambique à V Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD V), adiantou que o Japão é, com 111 milhões de dólares, o principal contribuinte para o plano de investimento para o sector agrícola de Moçambique, “montante esse que é para a agricultura no seu todo.”

“Com a conclusão do plano-director do ProSavana esperamos que haja uma consignação de recursos específicos para o desenvolvimento do Corredor de Nacala”, disse a concluir o ministro da Agricultura de Moçambique.

Entretanto, membros da União Nacional de Camponeses de Moçambique e representantes de organizações não-governamentais divulgaram quarta-feira em Yokohama uma carta aberta na qual argumentam que o programa ProSavana visa facilitar o investimento estrangeiro em Moçambique e que porá em perigo o sistema de produção agrícola baseado na unidade familiar.

O documento adianta que os camponeses têm sido até à data mantidos à margem do processo e que parte do ProSavana já está em execução sem que tenham sido realizados os obrigatórios estudos de impacto ambiental. (macauhub)

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