Estudo indica que indústria de Moçambique está “estagnada”

23 January 2014

A indústria de Moçambique encontra-se “estagnada”, indica um estudo sobre o sector, divulgado na quinta-feira, em Maputo, que avaliou mais de 700 micro, pequenas e médias empresas moçambicanas e que retrata um sector pouco competitivo e acomodado.

Produzido pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD) de Moçambique, em parceria com a Confederação das Associações Económicas, a Universidade de Copenhaga e o Fundo para o Ambiente de Negócios, o “Inquérito às Indústrias Manufactureiras – 2012” (IIM-2012) traça um cenário pouco optimista sobre esta área industrial da economia moçambicana.

Tendo por base uma investigação idêntica realizada em 2006 (IIM-2006), os investigadores avaliaram 761 empresas, concluindo que o sector evoluiu de forma tímida em termos produtivos e de competitividade no período compreendido entre as duas análises.

“À luz do crescimento anual médio de 8% que a economia moçambicana tem registado, isto sugere que as PME industriais estão atrasadas em relação ao resto da economia”, considerou Augusta Maita, directora-adjunta de Estudos e Análises de Políticas do MPD.

Destacando o facto das empresas moçambicanas apresentaram um “grau muito alto de sobrevivência”, o economista dinamarquês Finn Tarp, da Universidade de Copenhaga, considerou que este “é um sinal de que as coisas não estão bem”.

Na análise às percepções dos constrangimentos que as empresas enfrentam em termos de desenvolvimento de negócios, os investigadores ficaram “surpreendidos” com alguns dados, como a redução na preocupação dos empresários sobre o acesso ao financiamento bancário: 66,2%, em 2006, para 47,5%, em 2012.

Para Finn Tarp, este dado indica que as empresas “não estão a procurar crescer”, revelando a “estagnação” do sector.

O IIM-2012 conclui que a maioria das empresas, 88,5%, recorreu a rendimentos próprios e que apenas 8,2% procurou empréstimos bancários para a realização de investimentos.

Por outro lado, sobre a oscilação do número de trabalhadores nas empresas, os investigadores mostraram-se preocupados com o facto de muitas delas, ao invés de aumentarem os seus efectivos, estarem a reduzi-los.

Apontando o exemplo verificado na amostra de 92 pequenas empresas, o estudo revela que 23 delas foram requalificadas para micro empresa e apenas 11 subiram para o nível de média empresa. (macauhub)

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