Presidente da Electricidade de Moçambique propõe aumentos nas tarifas de energia

25 March 2014

A Electricidade de Moçambique (EdM) está a cobrar uma tarifa de energia eléctrica inferior ao preço de custo, o que poderá ter, a curto prazo, implicações graves na sua actividade, alertou recentemente o presidente da empresa.

Apontando o valor de 10 a 12 cêntimos do metical como “ideal”, Augusto de Sousa Fernandes disse que a actual tarifa de 8 cêntimos do metical por kWh “não é sustentável”, uma vez que a empresa paga cerca de nove cêntimos.

Em entrevista ao matutino Notícias, Sousa Fernandes revelou que os custos da empresa na compra de electricidade aumentaram de 63 milhões de dólares, em 2011, para 84 milhões de dólares, em 2013, acompanhando um crescimento anual no consumo de cerca de 70 megawatt-hora (MWh), sem que o preço de venda ao consumidor tenha sido alterado.

O aumento de consumo de energia, sobretudo impulsionado pelo mercado doméstico, está a obrigar a empresa a procurar alternativas mais dispendiosas à da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, como é o caso da central termoeléctrica de Ressano Garcia, actualmente gerida pela escocesa Aggreko.

“Este ano, a factura vai atingir 133 milhões de dólares com a entrada da Aggreko. Apenas para ilustrar, por 500 MWh da HCB pagamos 50 milhões de dólares ao ano e por apenas 150 MWh da Aggreko pagamos o mesmo valor”, disse o responsável.

Segundo Sousa Fernandes, apenas 26% da população de Moçambique tem acesso a energia, estando o consumo distribuído em 70% para o mercado doméstico e 30% para o industrial. (macauhub)

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