FMI elogia gestão do governo de Macau mas alerta para vulnerabilidade da economia

28 July 2014

O Fundo Monetário Internacional (FMI), num relatório de 57 páginas, elogiou o Governo de Macau pelo seu enquadramento de gestão prudente e macroeconómica, nomeadamente, pela adopção de medidas que se caracterizam pelo regime de indexação cambial da MOP ao HKD, por mercados flexíveis, pela garantia rigorosa da disciplina financeira e pela manutenção da estabilidade financeira.

Apesar de apoiar a “prudência fiscal” de Macau, o FMI aconselha, no entanto, a “uma estratégia de distribuição de activos mais diversificada” no que respeita às aplicações da “ampla reserva fiscal de Macau”.

O FMI considera que as medidas tomadas conduziram à ultrapassagem pela Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) de vários desafios, como a crise financeira mundial, e permitiram a manutenção eficaz da forte posição externa de Macau e a estabilidade financeira.

O relatório encoraja as autoridades de Macau “a combaterem as vulnerabilidades e a aumentarem a resiliência do sistema bancário face a potenciais riscos provenientes dos sectores do jogo e imobiliário, assim como de adversas repercussões financeiras transfronteiriças”.

No seu primeiro relatório sobre Macau desde que a administração passou para a República Popular da China, em 1999, o FMI recomendou ao governo “um enquadramento orçamental a médio prazo para incentivar disciplina e transparência financeiras e advertiu para os riscos internos do mercado imobiliário na região considerando que a adopção pela RAEM de medidas de carácter macro-prudencial e outras baseadas na gestão da procura, em relação ao “boom” do imobiliário, fez abrandar as transacções registadas no mercado”.

O FMI assinala ainda que entre 2008 e 2013 o preço das habitações mais do que triplicou em Macau enquanto que no mesmo período o rendimento médio das famílias não chegou a duplicar.

Defendendo que a diversificação económica pode “servir como motor de crescimento”, o FMI sugere também que “o levantamento de restrições às políticas sobre a importação de mão-de-obra não residente e a concessão de mais facilidades aos trabalhadores que transitam entre Macau e as regiões vizinhas do interior da China podem resolver problemas relacionados com a escassez da mão-de-obra”.

O FMI prevê que o PIB de Macau vai crescer nos próximos dois anos entre os 9 por cento e os 10 por cento mas a partir de 2016 prevê um abrandamento do crescimento da economia que se cifrará em 5 por cento em 2019.

O relatório do FMI  refere que a taxa de inflação deverá manter-se nos 5 por cento, a taxa de desemprego não será superior a 1,7 por cento.

A concluir assinala que as receitas do Governo em 2014 devem atingir 170 mil milhões de patacas mais 30 mil milhões do que as orçamentadas e os impostos provenientes do sector do jogo 139 mil milhões de patacas subindo para 154 mil milhões de patacas em 2015.(macauhub/MO)

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