Sistema ferroviário da Beira, Moçambique, alvo de obras de grande dimensão

13 August 2014

O sistema ferroviário da Beira, no centro de Moçambique, está a ser alvo de obras de grande dimensão que pretendem conferir maior segurança às composições que transportam carga diversa e passageiros, afirmou o director da Brigada de Reconstrução da Linha de Sena (BRLS).

O sistema é constituído pelas linhas do Sena, inaugurada em 1914 pela então companhia britânica Trans-Zambeze Railways numa extensão de 575 quilómetros, incluindo o ramal Inhamitanga-Marromeu, entre a estação ferroviária do Dondo, em Sofala e a vila carbonífera de Moatize, em Tete, e de Machipanda, criada no longínquo ano de 1897 pelos Caminhos de Ferro da Beira numa extensão de 317 quilómetros que liga o porto da Beira à vila fronteiriça de Machipanda, em Manica, com o vizinho Zimbabué.

Sob a direcção da Brigada de Reconstrução da Linha de Sena, as obras a serem executadas pelo consórcio português Mota-Engil e Edvisa (do Grupo Visabeira), avaliadas em 163 milhões de euros para o aumento da capacidade da via de 6,5 milhões para 20 milhões de toneladas por ano até Fevereiro do próximo ano, são preliminarmente descritas pela estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) como sendo tecnicamente de boa qualidade.

Dizendo que se reduziram de forma considerável os descarrilamentos que eram frequentes, principalmente na linha de Machipanda, o director da BRLS, Elias Xai-Xai, disse ao jornal Notícias, de Maputo que o projecto principal actualmente em execução é o aumento da capacidade da linha do Sena para os referidos 20 milhões de toneladas.

“Mas ainda este mês vão iniciar-se os estudos de viabilidade para recuperar o ramal que, a partir da linha do Sena, segue até à Vila Nova de Fronteira com o vizinho Malawi para posterior elaboração do projecto de pormenor”, acrescentou Xai-Xai.

Relativamente à linha de Machipanda está a decorrer um estudo de viabilidade e elaboração de um projecto executivo para a sua recuperação, tendo o respectivo contracto sido assinado em Junho passado com entrega prevista para nove meses mais tarde.

Actualmente circulam na linha do Sena um comboio de passageiros por semana entre a Beira e Moatize e um outro entre a Beira e Marromeu, na província da Zambézia, 10 comboios por dia entre Moatize e Beira e um de carga geral da CFM por semana.

A linha de Machipanda, por seu turno, tem relativamente pouco tráfego com uma média de um comboio por dia mas Elias Xai-Xai disse estar a decorrer um estudo de viabilidade no sentido da sua recuperação.

“Depois dessas obras, a linha de Machipanda verá a sua capacidade triplicada para 3 milhões de toneladas/ano, pelo que estamos a prever a reintrodução de um comboio de passageiros”, disse Xai-Xai. (macauhub/MZ)

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