Agências de comércio externo da China e de países de língua portuguesa procuram equilibrar relações comerciais

25 August 2014

Representantes das agências de comércio externo da China e dos países de língua portuguesa (PLP) vão procurar impulsionar e equilibrar as relações comerciais entre os seus países, no âmbito do “X Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os PLP”, que Maputo acolhe até quarta-feira.

Coincidindo com a abertura da 50.ª edição da Feira Internacional de Maputo (Facim), que se prolonga até 31 de Agosto, e que a comitiva de cerca de 500 pessoas que participa no encontro vai hoje visitar, o encontro empresarial terá, na terça-feira, o seu ponto alto, quando representantes das agências de comércio externo e empresários dos países envolvidos se reunirem no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.

Segunda uma nota de imprensa do Instituto para a Promoção de Exportações de Moçambique (Ipex), que co-organiza o evento com as congéneres Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (Ipim) e Conselho para a Promoção do Comércio Internacional da China (CPCIC), uma intervenção do primeiro-ministro moçambicano, Alberto Vaquina, deverá marcar o lançamento do encontro, que Moçambique acolhe pela segunda vez.

No programa, constam ainda intervenções do presidente do IPIM, Jackson Chang, do secretário-geral do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os PLP (Fórum Macau), Chang Hexi, do ministro da Indústria e Comércio de Moçambique, Armando Inroga e de um representante do CPCIC.

Decorrente de um protocolo de cooperação assinado em 2003 pelas nove agências de comércio externo que integram o Fórum Macau, espera-se que o encontro de Maputo, que se realiza anualmente e de forma rotativa nos países-membros, dê um novo impulso à organização, bem como às relações comerciais e diplomáticas dos países envolvidos.

Numa declaração recente sobre as expectativas da China relativamente ao futuro do Fórum, o Presidente chinês, Xi Jinping, disse esperar transformações “que impulsionem positivamente as cooperações na base da igualdade e benefício recíproco, a fim de contribuir para a paz, estabilidade e desenvolvimento dos países e regiões relacionadas.”

Informações divulgadas recentemente pelas autoridades alfandegárias chinesas dão conta de que o comércio entre a China e os PLP manteve, no primeiro semestre do ano, uma tendência de crescimento, à semelhança do que se verificou em 2013 (+2,31%), quando as trocas comerciais entre Pequim e os países de língua portuguesa atingiram o valor de 131,46 mil milhões de dólares, dos quais 43,91 mil milhões referentes às exportações chinesas e 87,48 mil milhões às importações oriundas dos países em causa, colocando a China com um défice comercial de 43,5 mil milhões de dólares.

Com uma expansão de 6,83% face ao período homólogo, o comércio entre a China e os PLP cifrou-se em 64,6 mil milhões de dólares durante os primeiros seis meses de 2014, num contexto favorável à comunidade lusófona: a China exportou 20,4 mil milhões de dólares e importou 44,2 mil milhões de dólares, obtendo um saldo negativo de 23,7 mil milhões de dólares.

De ressaltar, no entanto, que o excedente dos PLP se deve exclusivamente às trocas comercias da China com Angola e com o Brasil, representando só este último país 65% do volume total de negócios, atendendo aos dados do primeiro semestre, com os outros países a apresentarem balanças comerciais negativas nas suas relações com a China.

Além do Ipex, Ipim e CPCIC, participam no encontro representantes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Agência Cabo-verdiana de Promoção de Investimentos e Exportações (CI), Câmara do Comércio e Indústria de Angola (CCIA), Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e Direcção de Promoção de Investimento Privado da Guiné-Bissau (DPIP). (macauhub/AO/CV/GW/PT/MZ/CN)

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