Países de língua portuguesa devem exportar produtos alimentares para a China, recomenda IPIM

27 August 2014

O presidente do Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (Ipim) disse terça-feira, em Maputo, que os países de língua portuguesa (PLP) podem reforçar as suas relações comerciais com a China através da exportação de produtos alimentares.

Jackson Chang, que falava em declarações à macauhub à margem do “X Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os PLP”, adiantou que os empresários da comunidade lusófona vão poder, já em Outubro, apresentar os seus produtos num encontro em Macau, que será promovido pelo Ipim.

“Em Outubro, vamos realizar um encontro, no qual pretendemos atrair exportadores dos PLP, sobretudo da área alimentar. Através desta plataforma, os empresários vão poder expandir os seus negócios e procurar oportunidades no mercado da China”, referiu.

Durante a sua intervenção no encontro empresarial, que é organizado anualmente no âmbito da criação, em 2003, do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os PLP (Fórum Macau), Jackson Chang disse que, nas edições anteriores, o evento juntou mais de 3000 empresários, tendo sido promovidas cerca de 2600 bolsas de contactos nas áreas de infra-estruturas, serviços financeiros e imobiliários, produtos alimentares e agrícolas, energia, turismo e comércio.

“Este encontro empresarial serve exactamente para procurarmos um maior equilíbrio nas relações económicas entre a China e os PLP, que é um trabalho contínuo que temos de fazer e que visa melhorar as relações bilaterais de comércio dos PLP com a China”, explicou.

Apresentando um balanço das relações económicas de Pequim com os PLP, o secretário-geral do Fórum Macau, Chang Hexi, disse que, no primeiro semestre de 2014, as trocas comerciais foram superiores a 64 mil milhões de dólares, depois de terem ultrapassado 131 mil milhões de dólares, em 2013, estimando que estes valores possam aumentar, atendendo aos acordos assinados pelos governos dos países-membros do Fórum durante a 4.ª reunião ministerial da plataforma, decorrida em Macau, em Novembro de 2013.

Já o primeiro-ministro moçambicano, Alberto Vaquina, que presidiu à sessão de abertura da reunião, considerou que a plataforma “é uma manifestação do empenho dos países na busca conjunta de soluções para a melhoria do ambiente de negócios”, propondo uma “reflexão sobre o modelo de gestão das economias, especialmente no que concerne às políticas de resposta e mitigação aos efeitos” da recente crise económica e financeira mundial.

A importância de Macau enquanto espaço de promoção de oportunidades de negócio entre as empresas dos PLP e a China foi uma mensagem vincada por vários representantes das agências de comércio externo dos países-membros do fórum, conforme sublinhou o vice-presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

“O fórum permite uma grande visibilidade das empresas junto de um dos maiores países do mundo, que é a China, e tudo no enquadramento da língua portuguesa, que Macau possibilita”, disse à macauhub Pedro Ortigão Correia.

De acordo com João Macaringue, presidente do Instituto para a Promoção das Exportações de Moçambique (Ipex), que co-organizou o evento com o Ipim e com o Conselho para a Promoção do Comércio Internacional da China (CPCIC), participaram no encontro mais de 400 empresários dos países-membros do fórum, tendo a iniciativa, que compreendeu uma visita à 50.ª Feira Internacional de Maputo (Facim), gerado mais de 500 bolsas de contacto nas áreas financeira, construção e engenharia, ambiental, produtos alimentares, agricultura, comércio, medicina e serviços de saúde, logística, têxtil, máquinas e equipamentos, consultoria e serviços.

João Macaringue anunciou ainda que os representantes das agências de comércio externo acordaram que a próxima reunião empresarial China-PLP se irá realizar na Guiné-Bissau.

Além do Ipex, Ipim, CPCIC e AICEP, participaram no encontro representantes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Agência Cabo-verdiana de Promoção de Investimentos e Exportações (CI), Câmara do Comércio e Indústria de Angola (CCIA) e da Direcção de Promoção de Investimento Privado da Guiné-Bissau (DPIP). (macauhub/AO/BR/CV/GW/MO/MZ/PT)

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