Governo de Moçambique revê em alta reservas de gás natural da bacia do Rovuma

10 September 2014

O governo de Moçambique elevou de 170 biliões para 200 biliões de pés cúbicos as previsões sobre a quantidade de gás natural existente na bacia do Rovuma, de acordo com dados apresentados na terça-feira, em Maputo, pelo Presidente moçambicano.

Apontando alguns dos desenvolvimentos verificados, nos últimos dois anos, no sector dos recursos naturais do país, Armando Guebuza disse que o gás natural foi descoberto nas Áreas 1 e 4 da bacia sedimentar, cujas concessões são lideradas pelos grupos norte-americano Anadarko e italiano ENI, respectivamente, sem, no entanto, precisar a quantidade referente a cada um dos projectos.

Armando Guebuza, que falava no lançamento do 2.º Congresso de Geologia de Moçambique, revelou ainda que o valor dos impostos de produção e de superfície pagos pelas empresas que exploram recursos naturais em Moçambique subiu de 1,44 milhões de dólares, em 2012, para 15,8 milhões de dólares, em 2014.

“Descobrimos grafite de classe mundial em Balama, na província de Cabo Delgado, e confirmámos reservas comerciais de ferro e paládio, em Tete, e de areias pesadas, em Inhambane”, afirmou o Presidente moçambicano, considerando que a revisão das leis de Minas e de Petróleo, que promulgou na terça-feira, vai promover Moçambique “como um destino seguro para a realização de investimentos.”

Sobre o desenvolvimento dos projectos de hidrocarbonetos do Rovuma, a ministra dos Recursos Naturais, Esperança Bias, apontou um investimento mínimo de cinco mil milhões de dólares para o seu início, mas que “irá subir com as projectadas fábricas [de liquidificação de gás natural] de Palma.”

Esperança Bias disse ainda que o governo moçambicano está a estudar o projecto de desenvolvimento de uma plataforma flutuante de liquidificação de gás natural (LNG, na sigla em inglês), que a ENI apresentou para a sua concessão e que a ministra moçambicana entende que não vai interferir com as unidades de LNG previstas para a província de Cabo Delgado.

“Provavelmente, é melhor termos uma plataforma flutuante para aqueles depósitos [em águas profundas] que estão a uma grande distância [do continente] e que podem inviabilizar a sua exploração”, considerou Esperança Bias.

Além da Anadarko Petroleum (26,%), integram a estrutura accionista da concessão relativa à Área-1 a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (15%), os grupos indianos ONGC Videsh (20%) e BRPL Ventures (10%), o japonês Mitsui&Co (20%) e o tailandês PTT Exploration and Production (8,5%).

Fazem parte do consórcio liderado pela Eni (50%) a China National Petroleum Corporation (20%), a Korea Gas, Galp Energia de Portugal e ENH, todos com 10% cada. (macauhub/MZ/PT/CN)

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