Excedentes orçamentais em Angola devem compensar os anos com défice, FMI

17 September 2014

O governo de Angola deve criar mecanismos que permitam compensar os défices orçamentais com os excedente gerados em anos em que há um acréscimo de receitas com a venda de petróleo, disse terça-feira em Luanda o director-geral adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Alguns passos estão a ser dados, mas mais pode ser feito”, disse Naoyuki Shinohara, durante uma palestra em Luanda, no âmbito da visita oficial que o número dois do FMI está a fazer a Angola, de acordo com a agência noticiosa Lusa.

Fruto de uma quebra na produção de petróleo no primeiro semestre do ano – Angola é o segundo maior produtor da África a sul do Saara – o FMI estimou para este ano um défice orçamental de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), o que acontecerá pela primeira vez em cinco anos.

Naoyuki Shinohara sublinhou por isso a “importância” de o país possuir um “quadro macroeconómico” e “mecanismos claros”, de médio prazo, para utilizar os dividendos petrolíferos, que o próprio ministro das Finanças de Angola, Armando Manuel, viria a clarificar, na mesma palestra, situarem-se em 76% do total das receitas fiscais.

“Quando o orçamento tem excedentes penso que a receita deve ser utilizada para acumular a riqueza soberana, mas quando é deficitário tem de haver uma forma de financiar esses défices, utilizando a receita do petróleo, tanto quanto possível”, disse Naoyuki Shinohara.

Dizendo que o governo de Angola tem estado a contrair empréstimos no estrangeiro para cobrir o défice orçamental, o director-geral adjunto do FMI adiantou que a utilização das verbas existentes no Fundo Soberano de Angola é uma das ideias sugeridas.

De acordo com a informação divulgada pelo FMI, que em Julho enviou uma missão a Luanda para a avaliação regular da economia angolana, a queda de 14% nas receitas do petróleo, entre Janeiro e Maio, explica as dificuldades. (macauhub/AO)

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