Thai Moçambique Logística promete solução de baixo custo para escoamento de carvão moçambicano

26 November 2014

O consórcio Thai Moçambique Logística vai criar uma “solução logística de baixo custo” para o transporte de carvão extraído no país, particularmente na província de Tete, disse em Maputo o actual director executivo do consórcio.

Quase um ano depois de ter vencido o concurso lançado pelo governo para o desenvolvimento e exploração de um porto de águas profundas na localidade de Macuse, na província da Zambézia, e de uma linha ferroviária que ligue esta região à bacia carbonífera de Moatize, em Tete, o consórcio de capitais moçambicanos e tailandeses garante ter a “solução” para os desafios logísticos do sector do carvão moçambicano, que se poderá equiparar ao modelo de negócio das companhias de aviação civil de baixo custo.

“Se fosse comparar o nosso projecto com algumas companhias aéreas, diria que temos como objectivo essencial conseguir ser o ‘baixo custo’ da solução logística para a bacia de Moatize”, disse José Pires da Fonseca, durante uma conferência sobre o sector do carvão, recentemente decorrida em Maputo.

Para o antigo director da CP Carga, da estatal Comboios de Portugal (CP), o projecto tem como “objectivo transportar volume”, o que só poderá ser alcançado com “um corredor de altíssimo desempenho do ponto de vista técnico”, que possibilite que os custos de transporte “fiquem tendencialmente mais competitivos.”

Com os estudos de viabilidade, de impacto ambiental e social ainda em execução, José Pires da Fonseca entende que o momento não é oportuno para a divulgação de informações sobre o traçado do projecto mas, atendendo a dados divulgados pelo governo na altura do lançamento da concessão, é previsível que a linha ferroviária tenha uma extensão entre 500 a 600 quilómetros.

“Vamos procurar o percurso mais curto entre a bacia de Moatize e um porto de águas profundas”, garantiu, adiantando que a ferrovia será comparável “a qualquer operação internacional, como da Austrália, Brasil e outros países concorrentes de Moçambique” no mercado do carvão.

Mas, para tal, a linha ferroviária terá de garantir uma capacidade de transporte acima de 20 milhões de toneladas, com uma “bitola internacional que permita a circulação de comboios de 32 toneladas por eixo”, o que, em termos de carga, poderá significar, “numa primeira fase”, 25 milhões de toneladas por ano.

“Daí até 50 milhões de toneladas a diferença é muito pequena”, garantiu Pires da Fonseca, indicando que o “projecto logístico terá de estar ajustado aos preços dos produtos de baixa qualidade”, numa referência ao carvão térmico, menos valioso do que o metalúrgico.

Agrupando a empresa tailandesa Italthai Industrial Company Limited, com uma participação de 60%, a estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), com 20%, e o grupo empresarial Corredor de Desenvolvimento da Zambézia (Codiza), também com 20%, a Thai Moçambique Logística vai concorrer directamente com a histórica linha de Sena, que liga Tete ao porto da Beira, na província de Sofala, e com o Corredor de Nacala, que será brevemente inaugurado ligando a região de Moatize ao porto de águas profundas de Nacala-a-Velha, na província de Nampula.

Explorada pela CFM e com 575 quilómetros, a linha de Sena é actualmente a única solução ferroviária de escoamento para o carvão de Moatize, embora com uma capacidade de carga muito abaixo das necessidades das mineiras que operam nesta região: cerca de 6,5 milhões de toneladas anuais.

Já o Corredor de Nacala, que se estende por 912 quilómetros atravessando parte do território do Malaui, com uma capacidade de transporte de 18 milhões de toneladas por ano, é explorado pela brasileira Vale Moçambique (70%) e pelos CFM (30%). (Macauhub/MZ)

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