ENI vai diversificar exploração de gás natural em Moçambique

4 December 2014

O grupo ENI quer utilizar diferentes métodos para a exploração de gás natural na bacia do Rovuma, norte de Moçambique, devendo a produção iniciar-se em 2019, afirmou quarta-feira em Maputo o director-geral da empresa para a região.

Fabrizio Trilli disse que o sucesso do projecto que o grupo italiano lidera não se poderá resumir à extracção e exportação de gás natural liquefeito (LNG, na sigla em inglês), pelo que o grupo pretende avançar, já em 2015, com a construção de uma central termoeléctrica no distrito de Palma, com uma capacidade de geração de 75 megawatts, além de uma unidade de transformação de gás para combustíveis líquidos (GTL), que poderá produzir até 96 mil barris diários, dos quais 70% de diesel e 30% de nafta.

“Para que este projecto tenha sucesso, todas as soluções têm de ser exploradas: temos de usar todas as soluções viáveis a nível técnico e comerciais existentes”, assinalou Fabrizio Trilli, quando intervinha na II Cimeira do Gás de Moçambique, que termina hoje na capital moçambicana.

O director-geral da Eni East Africa referiu ainda que, além do projecto de construção de duas fábricas de liquidificação de gás natural na península de Afungi, do distrito de Cabo Delgado, que irá desenvolver conjuntamente com a norte-americana Anadarko Petroleum, a petrolífera italiana pretende ter uma plataforma flutuante de LNG, uma proposta sobre a qual o consórcio que lidera deverá anunciar uma decisão brevemente.

Caso este projecto avance, a ENI prevê iniciar em 2019 as primeiras actividades de extracção de LNG na bacia do Rovuma, cujas estimativas do Governo moçambicano apontam para a existência de 200 biliões de pés cúbicos de gás natural.

Já sobre a entrada em funcionamento das unidades de liquidificação de gás natural da península de Afungi, cujo orçamento excede 23 mil milhões de dólares, segundo a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a empresa aponta o ano de 2020, uma data que tem sido sugerida por vários analistas económicos.

Na conferência, o presidente da Anadarko Moçambique, John Peffer, defendeu uma estratégia inicial para o desenvolvimento da indústria do gás na região, centrada na monetização deste recurso por via da produção e exportação de LNG, atendendo ao facto de que as reservas se encontram “em águas profundas”, o que torna a sua exploração mais onerosa.

“É a única forma para começarmos a explorar gás em Moçambique. Pode haver outras oportunidades no futuro, mas precisamos do LNG para avançarmos, porque o gás extraído em águas profundas não é barato”, sublinhou.

Integram o consórcio Área-1 liderado pela Anadarko Petroleum Corporation (26,5%) a ENH (15%), os grupos indianos ONGC Videsh (20%) e BRPL Ventures (10%), o japonês Mitsui&Co (20%) e o tailandês PTT Exploration and Production (8,5%).

Na Área-4, além da ENI (50%), encontram-se a China National Petroleum Corporation (20%), além da Korea Gas, Galp Energia de Portugal e ENH, todos com 10% cada. (Macauhub/CN/MZ/PT)

MACAUHUB FRENCH