Investimentos para explorar gás em Moçambique podem atingir 100 mil milhões de dólares

5 December 2014

A exploração das reservas de gás natural da bacia sedimentar do Rovuma, no norte de Moçambique, poderá envolver investimentos de cerca de 100 mil milhões de dólares, afirmou à macauhub em Maputo o presidente executivo do grupo português Galp Energia.

Considerando o custo de construção de uma unidade de liquidificação de gás natural, cerca de oito mil milhões de dólares, e as reservas até ao momento descobertas na região, Manuel Ferreira de Oliveira estimou que o desenvolvimento de 12 unidades alcance 100 mil milhões de dólares, embora o valor possa aumentar, atendendo a outros projectos de exploração do recurso que possam vir a ser desenvolvidos, como unidades de transformação de gás em combustíveis líquidos (GTL) ou centrais termoeléctricas.

Com 11 empresas integradas nas concessões Área 1 e Área 4, respectivamente lideradas pela norte-americana Anadarko Petroleum e pela italiana ENI, Ferreira de Oliveira referiu que, por enquanto, a monetização do gás por via do processo de liquidificação e exportação para os mercados internacionais é consensual entre os investidores.

É neste contexto, e dado que os dois blocos partilham o “maior de todos os reservatórios” até ao momento descoberto, que deverá avançar um dos primeiros grandes empreendimentos projectados para a região, a ser instalado na península de Afungi, no distrito de Palma, numa área de 7000 hectares concedida pelo governo moçambicano para o efeito.

Informações avançadas na quarta-feira pelo director da ENI East Africa, Fabrizio Trilli, durante a II Cimeira do Gás de Moçambique, que terminou quinta-feira, sugerem que a intenção dos investidores passa por construir duas unidades de liquidificação de gás natural na península de Afungi, onde as primeiras actividades de produção devem ter início em 2020.

A ENI, que sugere uma aposta diversificada além da produção de gás natural liquefeito (LNG, na sigla em inglês), tenciona avançar já em 2015 com o desenvolvimento de uma central termoeléctrica com a capacidade de geração de 75 megawatts, além de uma unidade de transformação de gás para combustíveis líquidos (GTL), que poderá produzir até 96 mil barris diários, dos quais 70% de diesel e 30% de nafta.

Integram o consórcio Área 1 liderado pela Anadarko Petroleum Corporation (26,5%) a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (15%), os grupos indianos ONGC Videsh (20%) e BRPL Ventures (10%), o japonês Mitsui&Co (20%) e o tailandês PTT Exploration and Production (8,5%).

Na Área 4, além da ENI (50%), encontram-se a China National Petroleum Corporation (20%) e ainda a Korea Gas, Galp Energia, de Portugal e ENH, todos com 10% cada. (Macauhub/MZ/PT)

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