Vale do Brasil anuncia acordo com Mitsui & Co do Japão sobre activos em Moçambique

10 December 2014

O grupo Vale já concluiu as negociações com a Mitsui & Co para a venda de parte dos activos mineiros e logísticos que possui em Moçambique, revelou terça-feira em Maputo o director executivo da Vale Moçambique.

Pedro Gutemberg revelou ainda ter o grupo brasileiro assinado um acordo de investimento com a Mitsui & Co, que inclui a venda de 15% dos activos do grupo brasileiro na mina de carvão de Moatize, além de metade da participação de 70% que mantém no Corredor Logístico de Nacala.

O director executivo da Vale Moçambique disse que a entrada efectiva da Mitsui & Co na estrutura accionista dos dois projectos só deverá acontecer durante o segundo semestre de 2015 e depois da empresa japonesa cumprir um caderno de requisitos imposto pelo grupo brasileiro, que procura assim capitalizar e concluir os investimentos que tem em execução no país.

Um desses requisitos, adiantou, é a obtenção de um crédito de 2,7 mil milhões de dólares junto da banca japonesa, dos quais 1,7 mil milhões de dólares serão investidos nas obras de desenvolvimento do Corredor Logístico de Nacala e mil milhões para o pagamento da dívida que a Vale Moçambique contraiu junto do seu grupo.

Além da aprovação dos governos de Moçambique e do Maláui, país que é atravessado pela linha de mais de 900 quilómetros do empreendimento ferro-portuário que liga a província de Tete ao porto de águas profundas de Nacala-a-Velha, em Nampula, a entrada da Mitsui & Co no capital do corredor logístico está ainda dependente do pagamento de 313 milhões de dólares à Vale, que só assim lhe cederá metade da participação de 70% que detém neste consórcio que explora com a estatal Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (30%).

Com a entrada da Mitsui, disse Gutemberg, a Vale quer garantir que as obras de recuperação e expansão do corredor terminem já no próximo ano, o que possibilitará aumentar de seis milhões para 24 milhões de toneladas/ano a capacidade de escoamento de carvão por caminhos-de-ferro em Moçambique – linhas de Nacala e de Sena.

Por outro lado, durante os próximos meses, e “dependendo de variáveis de desempenho como produção e rendimento do carvão”, a Mitsui e a Vale terão de chegar a um entendimento sobre o valor que empresa japonesa vai pagar por 15% da participação de 95% que a Vale detém na mina de Moatize, num montante que poderá variar entre 330 milhões e 480 milhões de dólares.

Com a operação, disse ainda o director executivo da Vale Moçambique, a empresa quer garantir capacidade de financiamento para duplicar de 11 milhões para 22 milhões de toneladas anuais a capacidade de produção da mina de Moatize, na qual o Estado moçambicano mantém uma participação de 5% através da estatal Empresa Moçambicana de Exploração Mineira.

Pedro Gutemberg deu ainda conta da intenção da empresa alienar mais 10% do capital que detém na mina a investidores moçambicanos, o que deverá acontecer dentro de um ano e numa acção que responde a um compromisso assumido pela Vale junto das autoridades locais. (Macauhub/MZ)

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