Deutsche Bank afirma que Angola está vulnerável à evolução económica da China

20 January 2015

Angola está mais bem preparada para responder ao choque petrolífero do que estava em 2008, afirmaram os analistas do Deutsche Bank, que, no entanto, alertaram para a vulnerabilidade decorrente de um abrandamento da economia da China.

“Quando os preços caíram mais de um terço em 2008-2009, passando de 92 para 61 dólares por barril, o crescimento do PIB de Angola entrou em colapso, de 23% em 2007 para 2,4% em 2009, o saldo orçamental passou de 4,7% para -7,4% (apesar do corte significativo da despesa pública) e a balança corrente mudou de 17% para -10%, além de uma desvalorização de 18% da moeda em 2009”, escrevem os analistas do banco alemão, acrescentando que “no contexto actual, vários fatores podem mitigar o risco de uma séria desestabilização económica.”

Entre os factores que podem ajudar Angola a superar a crise petrolífera que afecta as receitas estatais derivadas do petróleo, que representam cerca de três quartos da receita total, estão o “sólido crescimento do PIB e um nível de dívida pública moderado, reservas financeiras substanciais, um fundo soberano capitalizado com cinco mil milhões de dólares e uma economia mais diversificada do que em 2008, com o sector não petrolífero a valer 60% do PIB em 2013, quando valia apenas 40% em 2008.”

Os analistas do Deutsche Bank, na nota de análise datada de Dezembro, mas que só agora divulgada, dizem que “Angola não foi significativamente afectada pela produção de petróleo de xisto e consequente perda de quota de mercado nos Estados Unidos, como foi a Nigéria”, mas alertam que “o país está vulnerável ao abrandamento da procura da China”, uma vez que quase metade das exportações de petróleo vai para a China, desde 2012.

A China, de resto, tem sido um dos principais financiadores do desenvolvimento angolano, não só através da concessão de empréstimos comerciais ou com taxas de juro muito baixas, mas também através do programa “petróleo por dinheiro”, através do qual a China empresta dinheiro que é pago em petróleo. (Macauhub/AO/CN)

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