Standard Bank Moçambique revê em baixa crescimento do PIB moçambicano para 6,5%

30 January 2015

A taxa de crescimento de 7,5% prevista para a economia de Moçambique em 2015 poderá ser revista em baixa para 6,5%, devido ao impacto das cheias que atingiram o país nas últimas semanas, indica uma análise económica do Standard Bank Moçambique.

A redução de um ponto percentual na taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB) e impactos sobre a taxa de inflação média anual, que deverá subir de 2,56% para 5,6%, são as principais consequências macroeconómicas destacadas pelo banco relativamente às cheias que afectam a região centro e norte de Moçambique.

No seu boletim económico referente ao mês de Janeiro, o Standard Bank mostra-se menos optimista do que o Fundo Monetário Internacional, cujo representante em Moçambique, Alex Segura, admitiu recentemente uma possível descida de meio ponto percentual na taxa de crescimento do PIB inicialmente prevista, para 7%.

A análise do economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, debruça-se sobre a variação da taxa de inflação, que em 2014 foi a “mais baixa da história” do país (média ficou em 2,56%), antecipando para este ano um cenário pouco animador (5,6%), em resultado da combinação dos efeitos das cheias com os da depreciação do metical face ao dólar.

No documento enviado à macauhub em Maputo, a instituição financeira assinala a relativa estabilidade do metical no mercado cambial interbancário no fecho de 2014, adiantando que esta foi assegurada pelo Banco de Moçambique, que, ao longo do ano, vendeu divisas internacionais no valor de 1208 milhões de dólares, contra 623 milhões de dólares, em 2013.

A volatilidade verificada no metical durante os últimos meses poderá manter-se no curto prazo, em consequência de “um dólar forte internacionalmente e por factores sazonais ligados aos ciclos de exportação e importação que se espera que continuem a pressionar as reservas internacionais líquidas”, actualmente de 2,86 mil milhões de dólares.

A sustentabilidade da dívida pública moçambicana é também destacada pelo Standard Bank, uma vez que “poderá estar a aproximar-se rapidamente do limite de 40%” do valor do PIB, o que “muito provavelmente irá influenciar a forma como o Governo contrata nova dívida.

Sobres os impactos da exploração de recursos naturais, o banco diz que a importância se mantém muito acima da contribuição do sector para o PIB (4%), na medida em que é a área que mais investimento estrangeiro atrai, criando estabilidade macroeconómica ao mesmo tempo que impulsiona o desenvolvimento da rede de infra-estruturas do país.

No entanto, dada a tendência de desvalorização dos preços do carvão e do gás natural nos mercados internacionais, a instituição financeira antecipa uma travagem nos planos de investimento das empresas do sector, o que poderá gerar alguma incerteza, embora sem grandes impactos na economia moçambicana, cujo ritmo de crescimento permanecerá acelerado. (Macauhub/MZ)

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