Coal India abandona projecto carbonífero em Moçambique

9 February 2015

O monopólio estatal Coal India Ltd (CIL) deverá abandonar o projecto de extracção de carvão em Moçambique atendendo a que o carvão existente nos dois blocos “não tem qualidade suficiente para ser chamado carvão”, afirmou um quadro superior do grupo.

O quadro, que falou ao jornal indiano The Economic Times sob a condição de anonimato, disse que o carvão existente nos dois blocos não serve para ser consumido nem mesmo nas centrais eléctricas indianas, que foram desenhadas para ser alimentadas com carvão de baixa qualidade.

O grupo Coal India já despendeu cerca de 80 milhões de dólares na exploração dos dois blocos, tendo o quadro superior afirmado que o carvão existente naqueles dois blocos não consegue gerar uma taxa de retorno do investimento de 12% no médio a longo prazo.

“Falando de forma clara, posso dizer que o que lá existe não pode ser chamado carvão”, garantiu o quadro superior ao The Economic Times.

O grupo CIL obteve há cerca de seis anos uma licença de exploração e desenvolvimento válida por cinco anos dos blocos A1 e A2, ambas localizadas na província de Tete, tendo constituído a subsidiária Coal India Africana para liderar o projecto de exploração e de extracção de carvão.

O quadro superior disse ao jornal que o grupo foi levado a crer que 20% das reservas eram de carvão de qualidade superior, para utilização na siderurgia, sendo as restantes de carvão térmico, para alimentar centrais térmicas.

Mas após a recolha de amostras e o seu envio para a Índia para análises laboratoriais verificou-se que o carvão era de qualidade muito baixa, não contendo carbono em quantidade suficiente para ser chamado de carvão. (Macauhub/MZ)

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