Novas barragens reforçam em 3600 megawatts produção de energia em Moçambique

25 March 2015

A construção de cinco novas barragens hidroeléctricas em Moçambique e a expansão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa vai aumentar o potencial de produção de energia do país em cerca de 3600 megawatts, envolvendo investimentos superiores a 7000 milhões de dólares.

Num quadro de aumento do consumo de energia a um ritmo médio anual de 82 megawatts (cerca de 14%), segundo dados do Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD), Moçambique encontra na expansão do sector energético um dos seus maiores desafios económicos, atendendo às crescentes exigências industriais que se vão manifestando um pouco por todo o país.

E é neste contexto que no Plano Quinquenal do Governo 2015-2019, que será votado pelo parlamento moçambicano a partir do início de Abril, o executivo expressa a prioridade de ver desenvolvidos vários empreendimentos de produção de energia, alguns dos quais com investidores e financiamento já garantidos.

Este é caso da Hidroeléctrica de Lupata, na província de Tete, com um potencial de geração de 416 megawatts, que vai exigir um investimento de cerca de 1072 milhões de dólares, realizado através de um consórcio que reúne as empresas Hydroparts Holding e Cazembe Holding, ambas sedeadas nas Maurícias, e ainda a estatal Electricidade de Moçambique (EdM) e a Sonipal, de Moçambique.

Também na província de Tete e ao longo do rio Zambeze, a Hidroeléctrica de Boroma irá contar com uma potência instalada de 210 megawatts, tendo como empresas promotoras a Rutland Holding, das Maurícias, a EdM e a Sonigal, que terão de investir 572,5 milhões de dólares para desenvolver o empreendimento.

Se somados, os dois projectos podem vir a criar mais de 4000 postos de trabalho, segundo o Centro de Promoção de Investimentos de Moçambique, através do qual foram realizados os investimentos em 2014.

O plano orientador das políticas governamentais dá também prioridade  ao arranque da construção da barragem de Mphanda Nkuwa, a cerca de 70 km a nordeste da cidade de Tete e a 61 km a sudeste da barragem de Cahora Bassa, num projecto com um potencial de geração de 1500 megawatts, que tem uma estimativa de custo de 4,2 mil milhões de dólares.

Já concessionada às empresas Camargo Corrêa (40%), do Brasil, Insitec (40%), de Moçambique, e EdM (20%), a barragem deverá estar concluída em 2017, segundo indica o Programa Integrado de Investimentos do MPD, revisto em Junho de 2014.

Neste documento, o MPD sinaliza também a construção da Central Hidroeléctrica de Lúrio, em Nampula, mencionando uma capacidade de geração de 180 megawatts e um custo de investimento de cerca de 480 milhões de dólares, mas, para já, o projecto não tem investidores conhecidos.

Semelhante situação verifica-se com a Hidroeléctrica de Alto Malema, também em Nampula, com um potencial de geração de 60 megawatts, que figura no programa quinquenal do Governo.

Por outro lado, o executivo destaca o avanço da segunda fase da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), projecto também designado de Cahora Bassa Norte, cuja construção vai aumentar em 1250 megawatts a capacidade de produção de energia do empreendimento, actualmente de 2075 megawatts.

O custo do projecto está avaliado em cerca de 700 milhões de dólares, de acordo com estimativas do MPD.

Na estrutura accionista da HCB, o Estado moçambicano possui uma participação de 92,5%, enquanto a portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN), que é participada em 25% pela State Grid Corporation of China (SGCC), detém a quota remanescente de 7,5%.

Moçambique conta actualmente com uma capacidade de produção de cerca de 2300 megawatts, sendo a HCB o empreendimento que mais energia produz no país.

Grande parte da produção da barragem (cerca de 75%) é destinada à exportação, designadamente para o Zimbabué e para a África do Sul, país cuja eléctrica nacional, a Eskom, mantém um acordo com a HCB para a compra anual de 1100 megawatts, válido até 2029.(Macauhub/MZ)

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