Fábrica financiada pela China impulsiona produção agrícola no sul de Moçambique

14 April 2015

A inauguração do Complexo Agro-Industrial do Chokué, desenvolvido com financiamento da China, abre novos horizontes à produção agrícola na província de Gaza, sul de Moçambique, que conta agora com mais uma unidade de processamento de arroz e de armazenamento de produtos.

Lançada no primeiro semestre de 2013, a fábrica foi oficialmente inaugurada na segunda-feira pelo Presidente de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, que dirigiu uma mensagem de agradecimento às autoridades chinesas pelo apoio que prestaram ao projecto.

Através do Banco de Exportações e Importações (Exim) da China, o governo de Moçambique obteve um crédito bonificado de 60 milhões de dólares para a construção do empreendimento, tido como estratégico para o desenvolvimento da capacidade agrícola da região interior do Chokué, onde está instalado o maior sistema de regadio do país.

Gerido actualmente pela empresa estatal Hidráulica do Chokué (Hicep), o sistema de regadio foi criado durante a época colonial, tendo durante os últimos anos sofrido obras de reparação, que permitiram o aumento da produção de arroz, a cultura que absorve mais hectares ao longo dos canais, cuja capacidade de irrigação ultrapassa 30 mil hectares.

O Complexo Agro-Industrial do Chokué (CAIC) foi, por isso, desenhado tendo em atenção a necessidade de processamento deste cereal, garantindo agora uma capacidade de pelo menos 60 mil toneladas de arroz por ano, o que vai encurtar em dezenas de quilómetros a distância percorrida anteriormente pelos produtores: a unidade mais próxima, no Xai-Xai, do projecto chinês Wambao Agriculture, fica a 130 quilómetros de distância.

Mas, além do arroz, a fábrica vai também processar tomate e castanha de caju, esperando-se que sejam processados ao longo deste ano 1200 toneladas e 480 toneladas, respectivamente, contando ainda o complexo com uma área de armazenamento para 30 mil toneladas de produtos hortícolas.

Outro aspecto importante do projecto foi a instalação de sistemas de refrigeração, com capacidade para armazenar 15 mil toneladas, que se espera que possam alargar o prazo de conservação dos produtos hortícolas, melhorando a capacidade de negociação dos produtores locais.

Tendo na estrutura accionista o Instituto de Gestão das Participações do Estado (Igepe), com 70%, a Sociedade Agrícola do Vale do Limpopo (Saval), com 10% e a Hicep (20%), o complexo poderá vir a empregar cerca de 200 trabalhadores.

Na perspectiva de transformar a província de Gaza no “celeiro de Moçambique”, as autoridades locais têm vindo a promover contactos entre agricultores da região do Chokué e a Wambao Agriculture, tendo como intermediário a empresa pública Regadio do Baixo Limpopo (RBL), que gere o segundo sistema de regadio da província de Gaza.

Nesta infra-estrutura, a Wambao Agriculture detém um projecto de investimento avaliado em 250 milhões de dólares, que está essencialmente vocacionado para a produção de arroz, sendo um dos compromissos dos investidores a transferência de conhecimento e de tecnologia para os agricultores moçambicanos. (Macauhub/CN/MZ)

MACAUHUB FRENCH