Investidores chineses financiam exploração de grafite em Moçambique

12 May 2015

A Triton Minerals obteve um financiamento de 12 milhões de dólares com a venda de acções a um grupo de investidores de Hong Kong, que vai aplicar em projecto de exploração de grafite no norte de Moçambique, anunciou na segunda-feira a empresa australiana.

Um dos investidores está associado ao grupo de capitais chineses Shenzhen Zhongjin Qianhai, com o qual a Triton Minerals assinou recentemente uma carta de intenções com vista a obter um financiamento de 200 milhões de dólares para o desenvolvimento do projecto, adiantou a empresa num comunicado enviado à macauhub em Maputo.

A operação envolveu a venda de cerca de 34,3 milhões de acções ao preço unitário de 0,35 cêntimos de dólar, resultando num encaixe de 12 milhões de dólares, devendo a transacção ser feita numa única parcela até ao início da próxima semana, lê-se ainda no documento.

Com o montante angariado, a mineira australiana tenciona dar seguimento à realização de um estudo de viabilidade definitivo para o projecto de monte Nicanda, inserido na concessão de Balama Norte, que a Triton Minerals assegura conter a maior reserva mundial de grafite conhecida.

Por outro lado, a empresa pretende utilizar parte do dinheiro para dar início à construção de algumas infra-estruturas, como acessos rodoviários e áreas de assentamento para a estrutura operacional do projecto, devendo ainda realizar um programa de perfuração inicial em Ancuabe, outra das três concessões que possui na província de Cabo Delgado.

Depois de obter, em Janeiro, um financiamento de 20 milhões de dólares da empresa Long State Investments Ltd, com sede em Hong Kong, este tornou-se no segundo negócio que a Triton Minerals estabeleceu com investidores desta região administrativa especial da China.

Mas, além do grupo Shenzhen Zhongjin Qianhai, com sede na cidade de Shenzhen, província de Guangdong, a empresa australiana celebrou um contrato com outra companhia de capitais chineses, a Yichang Xincheng Grafite Co. (YXGC), passando a deter os direitos de fornecimento exclusivo de grafite no Malaui, Madagáscar e Tanzânia, além de Moçambique.

No seu conjunto e desde o início do ano, os financiamentos que a Triton Minerals obteve junto de investidores ligados à China perfazem 232 milhões de dólares, valendo os contratos de venda de grafite, que se prolongam por duas décadas, cerca de 3,5 mil milhões de dólares.

A Triton Minerals possui uma participação maioritária de 80% nos três projectos que explora em Moçambique – Ancuabe, Balama Norte e Balama Sul – cabendo a restante parcela (20%) à Grafex Ltd. (Macauhub/CN/MZ)

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