FMI prevê que a economia de Moçambique cresça 7% em 2015

13 May 2015

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia moçambicana registe uma expansão de 7% em 2015, devendo a taxa anual de inflação situar-se em 5,5%, anunciou terça-feira, em Maputo, o representante da organização em Moçambique.

As previsões divulgadas por Alex Segura-Ubiergo surgem na sequência de uma missão do FMI, no âmbito da quarta avaliação ao Programa de Apoio a Políticas, estabelecido com as autoridades de Moçambique em Junho de 2013.

No caso da previsão da taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB), o representante do FMI alertou para o facto de esta poder vir a sofrer alterações, em resultado “do declínio do preço das matérias-primas” exportadas pelo país e “à necessidade de consolidação orçamental”, que já consta do Orçamento Geral do Estado para 2015.

Mas, ainda que sofra uma redução, a previsão de crescimento terá sempre “um nível muito elevado” comparativamente aos países e à média da região da África a sul do Saara, estimada em 4,5%, salientou.

Embora o OGE só tenha sido aprovado durante o mês de Abril, em resultado da realização de eleições no final de 2014, a instituição financeira não antecipa uma derrapagem nas contas públicas, uma vez que a “execução orçamental foi prudente” durante o primeiro trimestre.

O défice orçamental do país, que preocupou o FMI “nos últimos dois, três anos”, dado que se encontrava acima de 10% do PIB, traduzindo “uma forte expansão fiscal”, deverá voltar a reduzir-se para níveis sustentáveis atendendo às metas do documento, que prevê um “ajustamento fiscal implícito maior do que 3% do PIB e que ajudará à estabilização da dívida pública no médio prazo.”

Para a instituição, o nível da dívida externa de Moçambique, estimada em cerca de seis mil milhões de dólares, e que tem merecido diversos alertas por parte de analistas económicos, é actualmente moderado, uma vez que se encontra abaixo da “barreira de 40% do PIB.”

Mas, atendendo à necessidade de investimentos em infra-estruturas, o FMI recomenda que as autoridades adoptem um sistema de estabelecimento de prioridades de projectos, com base nos seus impactos económicos.

O FMI elogiou ainda o governo de Moçambique pelos “progressos registados na aplicação de reformas estruturais” e por ter sido o primeiro dos países da região a ter solicitado a realização de uma Avaliação de Transparência Fiscal, cujo relatório foi já publicado. (Macauhub/MZ)

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