Corredor de Desenvolvimento de Maputo é caso de “sucesso”

5 June 2015

O Corredor de Desenvolvimento de Maputo (CDM), no sul de Moçambique, é destacado num relatório do Banco Africano de Desenvolvimento como a iniciativa de interligação regional que mais sucesso tem na região da África a sul do Saara.

Num relatório sobre o país recentemente divulgado no âmbito da publicação do “African Economic Outlook – 2015”, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) reserva um capítulo para analisar o CDM, assim como outros corredores de Moçambique, numa óptica de desenvolvimento regional e integração espacial.

Notando que a actividade económica do país está essencialmente centrada em torno da rede de infra-estruturas de transporte existente, que ainda mantém a estrutura criada durante a época colonial, o BAD refere que, no período que se seguiu à guerra civil (1976-1992), as autoridades procuraram transformar os corredores tradicionais em Iniciativas de Desenvolvimento Espacial (SDI, na sigla em inglês).

Tendo sido uma das primeiras iniciativas deste género a ser criada na África a sul do Saara, o CDM é hoje “frequentemente referenciado como o que maior sucesso tem”, baseando-se numa ligação ferroviária e rodoviária entre Maputo e as províncias de Mpumalanga e Gauteng, da África do Sul, e garantindo à Suazilândia uma alternativa ao porto de Durban (África do Sul).

A principal “âncora” deste projecto, considera o BAD, foi a fábrica de fundição de alumínio da Mozal, um projecto implantado na periferia de Maputo na viragem do novo milénio, que representou um investimento de cerca de mil milhões de dólares, o primeiro grande projecto que o país recebeu.

Até ao momento, adianta a instituição, o CDM recebeu investimentos de cerca de 2,8 mil milhões de dólares, sendo responsável por 42% de todas as receitas de exportação do país, com empresas de vários sectores de actividade instaladas à sua volta.

Para o desenvolvimento das suas estruturas rodoviárias, de caminho-de-ferro, portuária e, mais recentemente, de transporte de gás (gasoduto), o CDM envolveu várias parcerias público-privadas, impulsionadas através da organização Maputo Corridor Logistic Iniciative, que reúne vários parceiros institucionais de Moçambique, África do Sul e Suazilândia.

Na região centro, por outro lado, o corredor da Beira é também um exemplo de uma SDI bem executada, segundo o BAD, uma vez que começou por ligar o Zimbabué ao porto da Beira, através de uma estrada e de uma linha de caminho-de-ferro, que se estendeu depois à província carbonífera de Tete, tendo as suas ligações rodoviárias se expandido para o Malaui, a Zâmbia e a República Democrática do Congo.

Os outros corredores destacados são os de Nacala, que se “está a desenvolver rapidamente”, do Libombo, com a ligação do corredor de Maputo a áreas costeiras da África do Sul, do Limpopo, ligando Maputo ao Zimbabué através de uma rede ferroviária, e o de Mueda/Lichinga, no norte do país, interligando o lago Niassa ao porto de Pemba e à Tanzânia.

A organização adianta que os corredores de Maputo, Beira e Limpopo são apoiados por Programas Regionais de Iniciativas de Desenvolvimento Espacial (RSDIP, na sigla em inglês), dentro do quadro legal da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), fazendo de Moçambique o país com mais RSDIP da região da África a sul do Saara.

Desde meados da última década, Moçambique tem gasto anualmente cerca de 10% do seu produto interno bruto (PIB) em investimentos na área de infra-estruturas, um esforço ainda assim insuficiente para responder às necessidades do país, nota o BAD. (Macauhub/MZ)

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