Quebra do preço do barril de petróleo conduz a despedimentos em Angola

23 September 2015

A quebra acentuada dos preços do barril de petróleo conduziu de uma forma indirecta ao despedimento este ano de mais de 7 mil trabalhadores, sobretudo na construção civil, em apenas quatro das 18 províncias de Angola, de acordo com dados sindicais.

Números divulgados pelo secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos – Confederação Sindical (UNTA-CS) indicam que o sector da construção civil é que mais sente a falta de recursos financeiros do Estado, devido à quebra para metade das receitas fiscais com a exportação de petróleo, tendo perdido mais de 6500 empregos este ano.

O secretário-geral da confederação sindical angolana adiantou à agência noticiosa Lusa que as dificuldades do Estado nos pagamentos estão na origem do corte, que poderá ser de 10%, na força laboral na construção civil em Angola.

“São empreitadas prestadas ao Estado e que agora o Estado mostra indisponibilidade de mantê-las, porque não tem como honrar os compromissos, pelo que nessas situações os empreiteiros fecham a obra e desmobilizam o estaleiro, colocando os trabalhadores numa situação de desemprego”, disse.

A quebra abrupta dos preços do barril de petróleo em 2014 fez diminuir as receitas fiscais angolanas com a exportação de petróleo, levando o governo a cortar um terço de todas as despesas públicas previstas, revendo também alguns projectos.

Angola conta com cerca de um milhão de trabalhadores que fazem descontos para o sistema de segurança social, entre os sectores público e privado, mas a UNTA-CS estima que mais cinco milhões possam trabalhar no mercado informal, fora deste regime e sem qualquer tipo de protecção. (Macauhub/AO)

MACAUHUB FRENCH