Patronato de Moçambique defende introdução de câmbios administrativos

19 November 2015

O Banco de Moçambique deve introduzir câmbios administrativos para facilitar a compra de divisas para financiar as importações de factores de produção e de bens essenciais, afirmou quarta-feira o vice-presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).

Rogério Samo Gudo adiantou que a medida, de carácter transitório, poderia ajudar a enfrentar a actual conjuntura caracterizada pela contínua desvalorização da moeda moçambicana em relação ao dólar, que já perdeu 35,95% do seu valor, sendo actualmente necessários 42 meticais para comprar um dólar.

O apelo lançado pelo patronato moçambicano, de acordo com o jornal Notícias, de Maputo, surge uns dias depois de o Banco de Moçambique ter decidido, pelo segundo mês consecutivo, agravar as taxas de juro de referência, caso da taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez que foi aumentada em 50 pontos base para 8,25%.

O sector privado sugeriu igualmente ao governo que inclua medidas específicas e transitórias no Plano Económico e Social, bem como no Orçamento do Estado para 2016 de incentivo ao sector produtivo, “a fim de minimizar-se os efeitos negativos da actual conjuntura económica.”

“Neste contexto, a CTA incentiva o governo a avaliar a reorientação dos subsídios, centrando-os na produção, como medida transitória, bem como a considerar a possibilidade de rever os contractos assinados com o sector privado para o fornecimento de bens e serviços que tenham uma elevada componente de importação”, disse Rogério Samo Gudo.

O vice-presidente da CTA frisou ainda que o recente aumento das taxas de juro de referência pelo Banco de Moçambique terá um impacto negativo no sector privado, agravando o seu endividamento no sistema bancário que, no primeiro semestre, se situou em 203 087,4 milhões de meticais (4434 milhões de dólares). (Macauhub/MZ)

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