Quebra do preço do petróleo conduz a despedimentos em Angola

29 December 2015

A quebra acentuada do preços do barril de petróleo conduziu de forma indirecta ao despedimento de mais de sete mil trabalhadores em Angola, 6500 dos quais do sector da construção civil, de acordo com uma estimativa sindical.

A União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA-CS) afirma que aquele número é referente apenas às províncias de Luanda, Benguela, Cuanza Sul e Huíla, sendo a construção civil o sector que mais mais sente a falta dos recursos financeiros do Estado devido à quebra para metade das receitas fiscais com a exportação de petróleo.

Citado no sítio Angonotícias, o secretário-geral da confederação sindical angolana, Manuel Viage, disse que a maior parte dos trabalhadores despedidos, que nessa sequência deixaram de pagar as quotas sindicais, foram-no quando os empreiteiros fecharam estaleiros e desmobilizaram o pessoal devido à incapacidade do governo em manter os compromissos assumidos.

A quebra acentuada dos preços do barril de petróleo em 2014 fez diminuir as receitas angolanas com a exportação de petróleo, levando o governo a cortar este ano um terço de todas as despesas públicas previstas e a rever alguns projectos.

A taxa de desemprego ronda actualmente 24%, de acordo com a UNTA-CS e resulta sobretudo de contractos a termo com trabalhadores angolanos que chegam ao fim e que não são renovados, precisamente porque as construtoras não têm mais projectos em carteira.

Depois da construção civil, os sectores do comércio e serviços e da indústria são os mais afectados pela crise com, no total, cerca de 450 empregos perdidos.

Angola conta com aproximadamente um milhão de trabalhadores que fazem descontos para o sistema de segurança social, entre os sectores público e privado, mas a UNTA-CS estima que mais de cinco milhões possam trabalhar no mercado informal, ou seja, fora deste regime e sem qualquer tipo de protecção social. (Macauhub/AO)

MACAUHUB FRENCH