Angola aposta no aumento da produção de café

14 March 2016

O director do Instituto Nacional do Café (Inca) de Angola, João Ferreira Neto, lançou na passada semana no município de Amboim um programa para o aumento da produção e exportação de café, que visa triplicar para 30 mil toneladas no espaço de dois anos a quantidade de produto exportado.

Este programa, que se destina mais a apoiar os actuais produtores do que a fomentar a cultura, contempla a entrega de 250 milhões de mudas de café e de 1500 milhões de mudas de palmeira, de acordo com a agência noticiosa Angop.

A produção de café em Angola ocorre actualmente em 10 das 18 províncias do país, nomeadamente Cabinda, Bengo, Cuanzas Sul e Norte, Uíge, Benguela, Huambo, Bié, Malanje e Huíla, numa área de 18 mil hectares, contra 120 mil hectares no período antes da independência, em 1975.

A estrutura produtiva compreendia, em 2015, cerca de 50 mil produtores inscritos, de que 98% representavam explorações agrícolas familiares e os restantes 2% explorações agrícolas empresariais nas províncias do Bengo, Cuanza Sul e Uíge.

A par do aumento da produção, o INCA está a apoiar programas de comercialização através da compra directa do café por agentes comerciais privados e por intermédio da realização de mercados rurais em colaboração com as autoridades.

“Estes programas contribuíram de forma significativa para o escoamento do café, aumentando assim o interesse na produção e no agro-negócio do produto”, sublinhou, tendo acrescentado assistir-se neste momento a índices elevados de venda colectiva de café, assinaturas de contratos de venda futura de café, o que garante um aumento no preço praticado em benefício dos próprios cafeicultores.

O plano do INCA a médio prazo contempla programas que aglutinam o relançamento da produção cafeícola em Angola, através do aumento das áreas de cultivo, com a produção de mudas de café, da melhoria da produtividade e qualidade, bem como da participação de mais produtores.

“Prevemos ainda implantar nas regiões produtoras unidades de descasque e fábricas de lavagem de café, bem como fomentar a industrialização e exportação de café com a instalação de indústrias de torrefacção e de moagem”, disse João Ferreira Neto.

Estudos realizados recentemente pelo INCA indicam que a médio prazo (cinco anos), com investimentos direccionados para a cafeicultura, Angola pode estar a produzir 50 mil toneladas de café comercial, cerca de um quarto da produção antes da independência, quando o país era o quarto maior produtor mundial de café. (Macauhub/AO)

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