Empresa que explora grafite em Moçambique em risco de falência

14 March 2016

A Triton Minerals, uma empresa australiana que explora concessões de grafite em Cabo Delgado, norte de Moçambique, poderá vir a falir depois de as suas acções terem deixado de estar cotadas em bolsa e ter passado a ser gerida por administradores nomeados, de acordo com um conjunto de comunicados divulgados na página electrónica da empresa.

O anúncio com a nomeação de novos administradores, no dia 3, ocorreu dois dias depois de a empresa ter publicado uma actualização sobre as suas operações onde indicava a mudança de foco de Balama para o seu projecto em Ancuabe, que pretendia desenvolver em conjunto com a empresa alemã Graphit Kropfmühl.

Essa decisão decorria do facto de Ancuabe ficar situado a menos de 50 quilómetros do porto de águas profundas da cidade de Pemba, que dispõe de um terminal de contentores em funcionamento, boas infra-estruturas e custos reduzidos para uma operação mineira.

O jornal Sydney Morning Herald escreveu ter sido precisamente esta decisão que fez com que os accionistas despejassem os respectivos títulos, cuja cotação foi suspensa quando atingiram 0,61 cêntimos do dólar australiano, contra um pico de 54 cêntimos a 1 de Abril de 2015.

Em comunicado ao mercado, Martin Jones, da empresa Ferrier Hodgson (especializada na recuperação de empresas em dificuldades), informou estarem os novos administradores a trabalhar com os anteriores directores no sentido de analisar as contas da empresa e operações em curso antes de reunir os accionistas em assembleia geral para propor estratégias potenciais para reestruturar a empresa.

A Triton Minerals dispõe em Cabo Delgado de oito licenças de exploração mineira, das quais seis foram já concedidas e duas estão ainda em fase de aprovação, compreendendo três grandes áreas – Balama Norte e Balama Sul e Ancuabe – que contêm reservas de grafite de grande qualidade. (Macauhub/MZ)

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