Notação de risco de Moçambique em queda acelerada

16 March 2016

Os problemas relacionados com a reestruturação da dívida da Empresa Moçambicana de Atum fizeram com que as agências Moody’s e Standard & Poor’s tenham revisto em baixa a classificação de risco de Moçambique, de acordo com comunicados divulgados terça-feira.

A Moody’s, por exemplo, reviu de “B2” para “B3”, classificação que especifica que as obrigações são consideradas especulativas e de risco elevado, a notação de risco de novas emissões e advertiu que esta nova notação fica sob vigilância para possível nova revisão em baixa.

A agência adiantou que na base desta decisão está a reduzida capacidade do governo de Moçambique de servir a sua própria divida pública, facto que é evidenciado pela redução dos meios sobre o exterior na posse do Banco de Moçambique.

Em comunicado separado, a Moody’s reviu em baixo a notação de risco da dívida da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum) de “B2” para “Caa2”, advertindo os tomadores que as obrigações em questão são consideradas altamente especulativas, estão em incumprimento ou próximo dessa situação, não havendo grandes hipóteses de recuperar o capital ou de receber os juros.

A Standard & Poor’s, por seu turno, cortou a notação de risco de Moçambique em quatro níveis, de “B-“ para “CC”, o que significa que “o emitente encontra-se actualmente numa situação altamente vulnerável”, a apenas dois níveis de “D” ou incumprimento.

A agência advertiu igualmente que poderá baixar a notação de risco para “incumprimento selectivo”, caso os investidores venham a receber menos do que o valor prometido aquando da emissão das obrigações originalmente emitidas pela Ematum.

A 9 de Março Moçambique anunciou pretende reestruturar a dívida remanescente da Empresa Moçambicana de Atum através da troca das obrigações com maturidade a 2020 e um cupão a 6,305% por outras com maturidade em 2023. (Macauhub/MZ)

MACAUHUB FRENCH