Banco de Moçambique intervém no banco Moza

5 October 2016

O Moza (antigo Moza Banco) foi intervencionado a fim de garantir os interesses dos depositantes, tendo em atenção que o rácio de solvabilidade se apresentava abaixo de zero, afirmou recentemente a administradora do Banco de Moçambique, Joana Matsombe.

O rácio de solvabilidade representa a razão entre os activos de uma empresa financiados por capitais próprios e os financiados por capitais alheios, pelo que quanto mais elevado for este indicador maior a estabilidade financeira da empresa e quanto mais baixo maior a vulnerabilidade.

Em comunicado divulgado em Maputo, o Banco de Moçambique informou ter decidido suspender os membros do conselho de administração e da comissão executiva do banco e nomeado um conselho de administração provisório, presidido por João Figueiredo, cujo mandato durará até à normalização da situação.

Os argumentos apresentados pelo banco central prendem-se com a necessidade de proteger os interesses dos depositantes e outros credores, bem como salvaguardar as condições normais de funcionamento do sistema bancário.

A administradora do Banco de Moçambique adiantou que o banco central dispõe de uma facilidade para casos em que os bancos experimentam algumas dificuldades do ponto de vista da liquidez mas acrescentou que para que essa facilidade possa ser accionada é necessário que as instituições respeitem determinados requisitos, um dos quais é que o rácio de solvabilidade respeite o mínimo exigido, que é de 8%.

A razão principal para a situação de instabilidade observada na instituição financeira ficou a dever-se ao facto de o aumento de capital, decidido quando os rácios prudenciais do banco começaram a degradar-se, não ter sido realizado na íntegra mas apenas em 80% da sua dimensão.

O Moza, que iniciou a actividade em 2008, é controlado em 51% pela Moçambique Capitais, sendo os restantes 49% detidos pelo Novo Banco, instituição que ficou com os activos considerados bons do falido Banco Espírito Santo. (Macauhb)

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