Banco de Moçambique aumenta taxas de juros em 6 pontos

24 October 2016

O Banco de Moçambique, através do Comité de Política Monetária (CPMO), decidiu aumentar em seis pontos percentuais, de 17,25 para 23,25 por cento, as taxas de juro das Facilidades Permanentes de Cedência de Liquidez (FPC) e de Depósitos (FPD). Os efeitos são imediatos.

Igualmente, o CPMO decidiu unificar os coeficientes de reservas obrigatórias para 15,5 por cento para a componente em moeda nacional e moeda estrangeira, a partir de 22 de Novembro próximo.

O Banco de Moçambique (BM) tomou esta decisão na sexta-feira e justificou, através de um comunicado de imprensa, que pretende alinhar as taxas de juro de referência às condições actuais do mercado, tornando-as positivas em termos reais e retirar o excesso de liquidez do sistema bancário.

O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, referiu que, no final de 2015, a inflação passou a fixar-se acima dos valores de referência do BM, resultando em taxas reais negativas, “o que é uma anomalia do sistema, com implicações sérias na interligação financeira”.

Por outro lado, o sistema bancário apresenta “um excesso de liquidez, distribuído de forma desigual entre os bancos”, referiu o governador, como outra das causas da intervenção do CPMO, que se juntam à fraca disponibilidade de divisas no mercado.

“Claramente haverá um impacto nos bancos comerciais”, admitiu Zandamela, acrescentando que esse é também o objectivo para que se mudem comportamentos e que faz parte das competências do BM “ajudar a controlar alguns elementos especulativos” que influenciam a inflação e os câmbios.

O Comité de Política Monetária decidiu ainda introduzir, com efeitos imediatos, uma informação diária obrigatória ao Banco de Moçambique das taxas de câmbio praticadas pelos bancos comerciais nas transacções com o público, informação que será disponibilizada ao mercado.(Macauhub)

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