Banca de Angola com 2133 milhões de dólares em crédito malparado no final de 2015

8 November 2016

O crédito vencido na banca comercial de Angola ascendia a 355,6 mil milhões de kwanzas (2133 milhões de dólares) no final de 2015, de acordo com a 11ª edição do estudo “Banca em Análise”, segunda-feira apresentado em Luanda pela consultora Deloitte.

No estudo, em que a Deloitte analisa os resultados dos relatórios e contas apresentados publicamente pelos bancos que operam em Angola, revela que a constituição de provisões para o crédito dos bancos aumentou 107% em 2015, ano em que, por sua vez, o valor dos activos agregado das instituições atingiu 7,512 biliões de kwanzas (45 mil milhões de dólares).

O responsável da Deloitte para o sector de Serviços Financeiros em Angola, José Barata, admitiu, durante a apresentação destes resultados, uma “deterioração da carteira de crédito” da banca angolana, que teve de fazer o dobro das provisões face a 2014.

“Isso reflecte uma necessidade de registar resultados negativos para responder a perdas na carteira”, enfatizou José Barata, admitindo que o crédito malparado “continua elevado” junto da banca angolana.

O resultado líquido total das instituições em análise – excluindo informação do Banco Económico, antigo Banco Espírito Santo Angola – cresceu cerca de 19%, para 116,5 mil milhões de kwanzas (632 milhões de euros) em 2015.

O Banco de Poupança e Crédito (BPC), estatal e em processo de reestruturação e saneamento face ao crédito vencido, lidera a lista dos activos, com 1,339 biliões de kwanzas (8 mil milhões de dólares), seguido do Banco de Fomento Angola (BFA), Banco Angolano de Investimentos (BAI), Banco BIC e Banco Privado Atlântico (BPA).

A 11.ª edição do Banca em Análise revela que o peso dos depósitos em moeda angolana mantém a tendência de crescimento em detrimento da moeda estrangeira, tendo passado a representar 69% do total e que no final do ano os bancos angolanos contavam com depósitos dos clientes no valor total de seis biliões de kwanzas (36,7 mil milhões de dólares), um aumento de 12% face a 2014.  (Macauhub)

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