BPI passa de lucros a prejuízos com venda de 2% do Banco de Fomento Angola

14 November 2016

A redução de 50,1% para 48,1% da participação do Banco BPI no Banco de Fomento Angola teria como efeito a passagem de um lucro de 183 milhões de euros para um prejuízo de 25 milhões de euros, caso tivesse ocorrido no terceiro trimestre, de acordo com um documento divulgado ao mercado.

Em apresentação divulgada através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, em que o banco demonstra as implicações daquela venda nas demonstrações financeiras consolidadas e nos rácios de capital, afirma-se que o banco deixará agora de contabilizar a participação em Angola pelo método de consolidação global, para passar a usar o método da equivalência patrimonial.

Tal significa que até à data o BPI reconhecia nas suas contas a totalidade do resultado do BFA (por ter uma posição de controlo) e quando ficar abaixo dos 50% irá apenas reflectir nas suas demonstrações financeiras os resultados proporcionais à participação detida no BFA.

Além de um impacto negativo superior a 200 milhões de euros em termos de resultado líquido, o BPI estima que se a venda de 2% do BFA já tivesse ocorrido as contas dos primeiros nove meses do ano apresentariam um produto bancário 171 milhões de euros inferior ao de facto reportado ao mercado.

A venda de 2% do BFA à empresa de telecomunicações Unitel visa dar resposta às preocupações do Banco Central Europeu, no sentido de diminuir a exposição do BPI ao mercado angolano e, assim, melhorar os rácios de capital do banco português.

A apresentação enviada à CMVM indica que o rácio de capital do Banco BPI teria uma melhoria de 0,2 pontos percentuais se a venda de 2% tivesse sido concretizada até 30 de Setembro, o que significa que os rácios “só irão beneficiar do contributo do BFA no momento da distribuição de dividendos do BFA para o Banco BPI.”

Esta operação de venda carece ainda de aprovação em assembleia geral do BPI, que está marcada para 23 de Novembro. (Macauhub)

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