Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola precisa de 1569 milhões de dólares para garantir pagamentos até final do ano

2 December 2016

A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) precisa de ser reestruturada em termos financeiros e de 1569 milhões de dólares para garantir os pagamentos até ao final do ano em curso, afirmou quinta-feira em Luanda a presidente do Conselho de Administração, Isabel dos Santos.

Dos Santos afirmou ainda que as receitas da Sonangol têm vindo a cair desde 2013, “sem que os custos operacionais acompanhem essa quebra”, que estima uma receita bruta de 15 325 milhões de dólares e que este ano a estatal não deverá entregar dividendos ao Estado.

“A receita bruta da Sonangol em 2013 foi de 40 070 milhões de dólares, em 2014 foi de 24 657 milhões de dólares, em 2015 foi de 16 212 milhões de dólares e, este ano de 2016, estima-se uma receita bruta de 15 325 milhões de dólares”, pode ler-se num comunicado divulgado pela empresa.

O comunicado acrescenta que “em simultâneo os custos operacionais da empresa não diminuíram tanto quanto a quebra de receitas, estimando-se em 11 957 milhões de dólares em 2016, uma redução face aos 14 443 milhões de dólares em 2015.”

Isabel dos Santos foi nomeada em Junho passado, tendo quinta-feira revelado que a avaliação entretanto realizada ao grupo, para “conhecimento total da situação de partida”, permitiu detectar “inconsistências entre a informação contabilística e a informação real da empresa”, bem como “uma falta de controlo sobre várias participações financeiras”.

A presidente do Conselho de Administração afirmou mesmo que a situação da Sonangol “é bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado”, obrigando a “decisões de gestão com carácter de urgência.”

A dívida financeira do grupo para 2016 está estimada em 9851 milhões de dólares, existindo actualmente “existe a necessidade de contrair novos financiamentos”, em face dos compromissos financeiros “ainda por financiar”, para que a Sonangol “possa cumprir com os pagamentos até ao final do ano”, necessidade que ascende a 1569 milhões de dólares.

A administração da Sonangol era liderada desde 2012 até à nomeação (Junho de 2016) de Isabel dos Santos por Francisco de Lemos José Maria, que por sua vez sucedeu a Manuel Vicente, eleito então vice-presidente da República.

Isabel dos Santos afirmou ainda ter sido detectada um “sobredimensionamento da estrutura” do grupo, com cerca de 22 mil pessoas ligadas ao universo Sonangol, 8000 trabalhadores activos, mais de 1100 não activos e mais de 8000 trabalhadores pertencentes a empresas de trabalho temporário.

O comunicado divulgado adianta que a carteira de investimentos é caracterizada actualmente por projectos problemáticos, como a Refinaria do Lobito e Terminal Oceânico da Barra do Dande, e investimentos avultados sem retorno, fora do negócio principal da Sonangol, nomeadamente, investimentos em áreas como saúde, hotelaria, imobiliária e energias renováveis. (Macauhub)

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