Angola deve reduzir défice orçamental, defende FMI

8 February 2017

O governo de Angola deve reduzir o défice orçamental em 2017 para 2,25% do Produto Interno Bruto e procurar obter um saldo orçamental primário não petrolífero de 1% do PIB, de acordo com um relatório do Fundo Monetário Internacional segunda-feira divulgado em Washington.

Realizado ao abrigo do artigo IV, que analisa anualmente a economia dos membros do Fundo, o documento adianta que Angola deve “promover a diversificação económica melhorando o ambiente de negócios e reforçando o papel do sector privado na reconstrução de infra-estruturas.”

A diversificação da economia, que é encarada como “o principal desafio económico”, é outra da recomendações dos técnicos do Fundo Monetário Internacional, que no final de 2016 analisaram a economia angolana e cujas conclusões foram agora publicadas.

“O choque do preço do petróleo que se iniciou em meados de 2014 reduziu consideravelmente as receitas fiscais e as exportações, tendo o crescimento estagnado e a inflação acelerado de forma acentuada, o que pôs em evidência a necessidade de responder, de forma mais contundente, às vulnerabilidades e à dependência do petróleo e de diversificar a economia”, escrevem os analistas do departamento africano do FMI.

As autoridades tomaram medidas para mitigar o impacto do choque externo, dizem os peritos, salientando a “melhoria de 18% do PIB no saldo orçamental primário não petrolífero em 2015/2016, alcançada principalmente através da aplicação de cortes nas despesas, incluindo a eliminação de subsídios ao combustível”.

No entanto, acrescentam, “a taxa de câmbio foi novamente fixada em Abril de 2016, o que conduziu a uma apreciação do kwanza em termos reais, sendo necessárias políticas adicionais para continuar a ajustar a economia ao ‘novo normal’ no mercado do petróleo e para fazer regressar o crescimento a um nível consistente com a redução da pobreza.” (Macauhub)

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