Brasil quer ampliar e diversificar parceria comercial com a China, diz presidente da Apex

7 March 2017

A China é considerada um mercado prioritário no plano de trabalho da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), afirmou o presidente da instituição, o embaixador Roberto Jaguaribe.

Nesse contexto, o intercâmbio com o Pan Delta do Rio das Pérolas poderá contribuir para aumentar o relacionamento entre o Brasil e a China, disse o diplomata durante um encontro com a delegação de cerca de 50 representantes das nove províncias da região, além de Macau e Hong Kong, que chegou segunda-feira, 6 de Março a Brasília.

Apesar da China ser o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, além de um importante investidor, há ainda muitos desafios, disse o diplomata, que salientou, por exemplo, o facto de as exportações brasileiras para a China estarem concentradas num pequeno grupo de produtos básicos, de baixo valor acrescentado.

O montante de investimento brasileiro na China permanece muito baixo, da ordem de 500 a 600 milhões de dólares, ao passo que a presença chinesa, no entanto, acumula um montante superior a 15 mil milhões no Brasil.

“Na qualidade de dirigentes de agências de promoção do comércio e do investimento e como membros dos governos do Brasil e da China é nosso dever procurar soluções criativas que ajudem a colocar a relação entre os dois países num novo patamar, ainda mais elevado do que o presente”, destacou Jaguaribe, ao acrescentar que é preciso expandir, diversificar e elevar a qualidade do comércio bilateral.

Como parte dessa estratégia, a Apex, que tem uma actuação semelhante à do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), criou a Unidade China, que começou a operar em Janeiro de 2017.

O director executivo da agência, Augusto Castro, destacou que as relações bilaterais ainda estão na “infância” e há um caminho de crescimento exponencial.

Com a criação do núcleo, a proposta de trabalho, segundo Castro, é desenvolver acções para que os investimentos, entre os dois países, aumentem nos próximos anos, tendo mencionado como áreas prioritárias ambiente, infra-estruturas, inovação tecnológica e empresarial, agro-negócio, imagem e promoção da cultura e comércio electrónico.

No agro-negócio deverá ser concretizada uma grande aliança bilateral para ampliar a cooperação, disse o gerente da Apex, ao lembrar que o Brasil já é o segundo maior fornecedor de produtos desse segmento para a China e o primeiro fornecedor de carnes.

A proposta é ampliar para outros produtos, dado que a China, como economia cada vez mais próspera e de rendimento per capita cada vez mais elevada, vai procurar mais alimentos e bebidas e “nenhum país do mundo está tão bem posicionado para responder a essa procura como o Brasil.”

No caso da área de inovação tecnológica e empresarial, há um programa de cooperação entre os de parques tecnológicos da China e do Brasil, o que poderá possibilitar a produção de bens com maior valor acrescentado e maior conteúdo tecnológico, pontos de interesse dos dois países.

Em relação à questão ambiental –  foco de maior interesse dessa região – o director lembrou que o Brasil tem uma legislação ambiental bastante moderna e citou o Código Florestal Brasileiro que obriga os produtores rurais a reservarem entre 20% e 80% da extensão da propriedade com vegetação nativa.

O Brasil obteve um grande progresso na redução das de emissões de CO² para a atmosfera, da ordem de 41% entre 2005 e 2012, destacou Castro, ao lembrar que a participação de energias renováveis na estrutura energética do Brasil é das mais elevadas do mundo, com cerca de 42%.

Uma das áreas que o Brasil registou grande avanço na utilização dessas energias é a de transportes, com a ampliação do uso do etanol, produzido a partir da cana de açúcar.

O representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Alfred Szwarc – a principal entidade do sector no país, que reúne 136 empresas privadas – lembrou durante o. encontro com a delegação chinesa que a emissão de gases tem vindo a ser reduzida de forma bastante significativa, a partir de 1975, com o início do programa de incentivo à produção nacional do álcool.

Actualmente, são quase 370 unidades produtoras e a área emprega mais de 1 milhão de trabalhadores.

O uso do etanol – o principal biocombustível produzido no Brasil, que também fabrica o biodiesel –  tem contribuído para esse processo de redução dessas emissões de gases nocivos na estrutura energética do país.

Actualmente, a cana de açúcar e seu produto mais importante, o etanol, representa mais 16% da estrutura energética nacional, superando a hidroeléctrica, que por muitos anos foi a principal fonte de energia renovável.

Segundo Szwarc, o Brasil está a desenvolver novas tecnologias para a produção de uma série de novos produtos, como o etanol de 2ª geração, a partir da utilização de resíduos da cana de açúcar, como também o bio-petróleo, combustível fabricado hoje em pequena escala para a indústria da aviação.

O Brasil conta actualmente com uma frota de 26 milhões de veículos flex –  que podem operar com gasolina, etanol ou os dois combustíveis simultaneamente -, sendo a mistura do etanol na gasolina de 27%.

Há regiões da China que já utilizam essa mistura, em 10%, o que revela, de acordo com o representante da Unica, que é possível avançar nesse processo.

O presidente do Ipim, Jackson Chang, que lidera a missão ao Brasil, destacou que esses contactos vão ao encontro do interesse da delegação em conhecer o desenvolvimento das indústrias verdes bem como fomentar a interacção tanto com órgãos governamentais e empresariais brasileiros.

O governo de Macau tem dando grande importância à promoção das indústrias verdes e, desde 2008, tem realizado o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental Macau, tendo Jackson Chang aproveitado a ocasião para convidar empresas brasileiras e órgãos do governo a participarem do evento, a ser realizado no final deste mês em Macau.

Entre as propostas de cooperação, Zhong Ming, do Secretariado da Conferência Conjunta Executiva da região do Pan Delta, destacou o interesse na parceria de conhecimentos legislativos que o Brasil tem sobre protecção ambiental, nomeadamente em relação à floresta da Amazónia, bem como na cooperação nas áreas do turismo, além do comércio e da economia.

A delegação terá ainda encontros em Brasília com representantes do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Protecção da Amazónia (Censipam), ligado ao Ministério da Defesa e dos ministérios do Meio Ambiente e do Planeamento, Desenvolvimento e Gestão. (Macauhub)

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