Moçambique deve negociar ajuda com o FMI antes de regressar aos mercados de dívida

3 April 2017

Moçambique deve negociar um programa de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) antes de regressar às emissões de dívida nos mercados financeiros internacionais, afirmou a agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P).

“Não prevemos que Moçambique emita dívida nos mercados internacionais em 2017 por causa do seu recente incumprimento financeiro”, escrevem os analistas da agência em nota de análise ao mercado financeiro da África a sul do Saara.

Moçambique falhou em Janeiro o pagamento do primeiro cupão, no valor de quase 60 milhões de dólares, relativo à emissão de dívida pública em Abril de 2016, no valor de 727,5 milhões de dólares, que resultou da reconversão de títulos de dívida da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), que contraiu um empréstimo avalizado pelo Estado.

Moçambique falhou um segundo pagamento no final de Março, no montante de 119 milhões de dólares, no pagamento de um cupão relativo ao empréstimo de 622 milhões de dólares contraído pela empresa Proindicus, igualmente com aval do Estado.

O documento da S&P salienta que Moçambique tem a mais elevada percentagem de dívida pública em moeda estrangeira – cerca de 85% – e que em 2016 apenas Moçambique e a República do Congo entraram em incumprimento.

No entanto, a grande diferença é que o Congo falhou um pagamento por apenas alguns dias e Moçambique não pagou e assumiu oficialmente a incapacidade de saldar os compromissos com os investidores, com o argumento de “seria muito difícil servir a dívida este ano.”

O FMI mantém conversações com o governo de Moçambique sobre um possível reatamento da ajuda financeira, através de um programa de apoio, mas afirma que primeiro é essencial conhecer o relatório da auditoria à dívida que está a ser feito pela consultora internacional Kroll Associates UK. (Macauhub)

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