Produção de combustíveis biológicos em Moçambique deixou de ser viável com a baixa do preço do petróleo

21 April 2017

A produção de gasóleo biológico a partir do pinhão-bravo  (Jatropha mollissima) “é algo para esquecer”, disse Almirante Dima, director nacional-adjunto de Hidrocarbonetos e Energia do Ministério dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique.

Almirante Dima justificou a sua afirmação com o facto de os custos de produção do gasóleo biológico implicarem um preço de comercialização superior ao praticado quer para a gasolina quer para o gasóleo convencionais.

 

A plantação de pinhão-bravo para a produção de combustível chegou a ser há cerca de seis anos uma aposta do governo moçambicano por permitir substituir a importação de combustíveis fósseis, dado que a planta existe em praticamente todo o país.

 

Almirante Dimas, citado pelo jornal moçambicano O País, recordou que nessa data o barril de petróleo era vendido a mais de 130 dólares o barril pelo que era economicamente viável produzir combustíveis líquidos a partir de espécies vegetais.

 

A obrigatoriedade de misturar combustíveis biológicos aos fósseis devia ter entrado em vigor em Moçambique em 2012, estando previsto que as gasolineiras misturassem 10% de etanol com 90% de gasolina e 3,0% de gasóleo biológico com 97% de gasóleo fóssil, percentagens que foram estabelecidas tendo por base a capacidade instalada para a produção destes combustíveis em Moçambique.

 

O governo de Moçambique estimava na altura que a factura de importação de combustíveis, que estava avaliada em 500 milhões de dólares por ano, pudesse sofrer uma redução de 22 milhões de dólares.

 

Mas a iniciativa, que tinha apoio do governo do Brasil, não avançou por causa da crise económica global, que retraiu financiamentos, até tornar-se inviável, por razões de conjuntura. (Macauhub)

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