Produtores de açúcar do Brasil preocupados com agravamento de taxa decidido pela China

23 May 2017

O agravamento de 50% para 95% da taxa alfandegária aplicada à importação de açúcar decidida pela China pode ter como resultado que as empresas do Brasil deixem de exportar para aquele país cerca de 800 mil toneladas do produto ao longo dos próximos 12 meses, informou a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

A associação esperava que as exportações para a China, o principal comprador do açúcar brasileiro, atingissem cerca de 3 milhões de toneladas, podendo agora cair para 2,2 milhões de toneladas ao longo do período citado, que coincide com a vigência da taxa de 95% sobre o valor do produto importado.

O director executivo da Unica, Eduardo Leão de Sousa, disse ter a associação efectuado um estudo preliminar, tendo o valor resultante da aplicação da taxa de importação sido a quebra das 800 mil toneladas na exportação de açúcar brasileiro para a China.

Leão de Sousa disse também que as compras chinesas de açúcar nos próximos 12 meses podem diminuir 28%, de aproximadamente 6 milhões para 4,5 milhões de toneladas.

O governo da China, atendendo a reivindicações do sector produtivo nacional, iniciou em Setembro do ano passado uma investigação sobre as importações de açúcar no período de Janeiro de 2011 a Março de 2016, quando as compras desse produto cresceram 663%.

O Ministério do Comércio chinês anunciou segunda-feira que as compras ao estrangeiro prejudicaram gravemente a indústria do país e agravou de 50% para 95% a taxa alfandegária que incide sobre as importações além da quota de 1,945 milhões de toneladas por ano.

Essa taxa será reduzida para 90% passados 12 meses e para 85% passados 24 meses, mantendo-se em 15% a taxa a aplicar ao açúcar importado dentro da quota. (Macauhub)

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