Grupo ENI lança em Moçambique projecto de exploração de gás natural

O grupo italiano ENI procedeu quinta-feira em Maputo ao lançamento formal do projecto de exploração de gás natural Coral Sul, bem como à assinatura de todos os contractos, nomeadamente os relativos à construção e colocação da plataforma de produção, informou o grupo em comunicado divulgado em Milão.

O comunicado acrescenta terem sido assinados com o governo de Moçambique os documentos relativos ao quadro de regulação e de financiamento do projecto, no decurso de uma cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, Filipe Nyusi, da ministra dos Recursos Minerais, Letícia Klemens, do presidente do grupo ENI, Claudio Descalzi e dos restantes parceiros no bloco Área 4.

Estiveram assim presentes Wang Yilin, do grupo China National Petroleum Corporation (CNPC), Carlos Gomes da Silva do grupo portugês Galp Energia, Seunghoon Lee do grupo sul-coreano Kogas e Omar Mithá, da estatal Empresa Nacional de Hidrocarbonetos.

O projecto Coral Sul é o primeiro a ser desenvolvido no bloco Área 4 da bacia do Rovuma, que contém reservas estimadas em 450 mil milhões de metros cúbicos (16 biliões de pés cúbicos), sendo que o gás a ser extraído e liquidificado está já vendido ao grupo BP ao abrigo de um contracto assinado em Outubro de 2016 válido pelo período de 20 anos.

O grupo italiano funciona como operador da Área 4 através da sua participação na empresa ENI East Africa, que controla 70% do bloco, tendo como parceiros os grupos Galp Energia e Kogas e a estatal Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, todos com 10% cada.

A ENI East Africa, por seu turno, é controlada pelos grupos ENI, com 71,4% e CNPC, com 28,6%, estando a venda de metade da participação do grupo italiano ao grupo norte-americano ExxonMobil ainda dependente de autorizações de entidades de regulação, tanto de Moçambique como de outras jurisdições.

O projecto Coral Sul assenta na instalação de uma plataforma flutuante com uma capacidade para processar anualmente cerca de 3,4 milhões de toneladas de gás natural por ano, que é a primeira em África e a terceira no mundo.

O financiamento para a construção desta plataforma foi obtido em 60% junto de 15 grandes bancos internacionais e garantido por cinco agências de crédito à exportação, pode ler-se no comunicado divulgado. (Macauhub)

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