Credit Suisse contradiz conclusões da auditoria aos empréstimos de Moçambique

27 June 2017

O banco Credit Suisse garantiu ter recebido apenas 23 milhões de dólares em comissões derivadas da montagem dos empréstimos contraídos por empresas públicas de Moçambique e “não os 100 milhões de dólares ou mais que a Kroll Associates UK menciona no relatório de auditoria”.

O sumário do relatório sexta-feira divulgado em Maputo pela Procuradoria-Geral da República de Moçambique informa terem os dois bancos – Credit Suisse e VTB – recebido 199,7 milhões de dólares em comissões, sendo 58,8 milhões de dólares relativos a taxas bancárias e 140,9 milhões de dólares relativos a taxas da empresa contratada.

“As taxas bancárias para o Credit Suisse totalizaram 23 milhões de dólares, mais ou menos 2,3% do financiamento total e estão em linha com as transacções financeiras comparáveis realizadas nos mercados emergentes”, acrescentou o banco suíço.

A divulgação dos empréstimos contraídos pelas empresas ProIndicus e Mozambique Assett Management, que se juntaram ao já conhecido de 850 milhões de dólares contraído pela Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), levaram o Fundo Monetário Internacional e um conjunto de organismos e de países ocidentais a congelarem os apoios que prestavam a Moçambique.

Nos termos do relatório divulgado, a Kroll Associates UK foi incapaz de esclarecer qual o destino dado à maior parte de 2007 milhões de dólares que entraram na dívida pública de Moçambique, tendo os técnicos da empresa sido confrontados, muitas vezes, com a resposta de que as informações solicitadas eram “confidenciais, não estando por isso disponíveis.” (Macauhub)

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