Primeira colheita de algodão em Angola após independência vai produzir 242 toneladas

7 July 2017

A primeira colheita de algodão ao abrigo do programa de relançamento da produção em Angola está prevista para Julho nas províncias de Malanje e Cuanza Sul com um resultado simbólico de 200 toneladas na primeira província e de 42 na segunda, escreveu a agência noticiosa Angop.

Com a independência, em 1975, a produção de algodão deixou praticamente de existir devido à guerra civil, que veio a terminar em 2002.

O quadro do Ministério da Agricultura e coordenador do programa de relançamento da produção de algodão, Carlos Canza, disse que foi plantada uma área de 242 hectares, sendo que cada hectare vai produzir um tonelada de algodão-caroço, quantidade insuficiente para satisfazer as necessidades da indústria têxtil no país.

Para a próxima campanha agrícola 2017/2018, que irá exigir um investimento de 530 milhões de kwanzas, está prevista a colheita de 1500 toneladas de algodão-caroço naquelas duas províncias, na sequência do lançamento à terra a partir de Fevereiro de 2018 de 30 toneladas de sementes.

O engenheiro agrónomo Carlos Canza disse estar igualmente previsto que uma empresa japonesa, que não identificou, invista na produção de algodão no Pólo Agro-industrial de Capanda (Malanje) num terreno com uma área de 10 mil hectares.

Este projecto, prosseguiu, tem uma estimativa de vir a colher 50 mil toneladas de algodão-caroço em cada campanha agrícola, cerca de cinco toneladas por hectare, que vão ajudar a responder à procura do sector industrial têxtil do país.

Carlos Canza mencionou ainda um outro projecto de produção de algodão num perímetro irrigado da província do Cuanza em que irão ser aplicados 67 milhões de dólares, num financiamento partilhado entre os governos de Angola e da Coreia do Sul.

O cultivo de algodão em Angola data de 1926, tendo a produção aumentado de forma significativa a partir de 1968, ano em que atingiu 15 mil toneladas, para 31 mil toneladas em 1971 e um pico de 86 mil toneladas em 1973.

A revitalização da cadeia de valor do algodão iniciou-se com a reconstrução e modernização das três fábricas têxteis, Textangue II (Luanda), Satec (Cuanza Norte) e África Têxtil (Benguela), que se dedicam à fiação, tecelagem e confecções, respectivamente. (Macauhub)

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