BPC de Angola vende 1385 milhões de dólares em crédito malparado

11 July 2017

O estatal angolano Banco de Poupança e Crédito (BPC) pretende vender à sociedade anónima de capitais públicos Recredit crédito malparado no valor de 231 mil milhões de kwanzas (1385 milhões de dólares), ao abrigo de plano de saneamento financeiro da instituição, informou o presidente do conselho de administração.

Nos termos do plano, o BPC vai proceder a um aumento de capital por subscrição de acções ordinárias pelos accionistas, no montante de 90 mil milhões de kwanzas (540 milhões de dólares), bem como pela emissão de instrumentos de dívida subordinada conversível e elegível para fundos próprios no valor de 72 mil milhões de kwanzas (432 milhões de dólares), disse ainda Ricardo Viegas de Abreu.

O gestor, que falava durante uma conferência de imprensa sobre os 100 dias de trabalho deste conselho, considerou o plano de capitalização do BPC como um conjunto de iniciativas que visam assegurar a manutenção de uma posição financeira sólida e de um nível de rentabilidade sustentável e adequado ao perfil de risco do banco.

Citado pela agência noticiosa Angop, Ricardo Viegas de Abreu sublinhou que a recuperação do montante em crédito malparado depende, grandemente, do crescimento económico, “tendo em conta que maior parte dos credores perderam a capacidade financeira devido a situação conjuntural que o país atravessa.”

A estabilização, reestruturação, dinamização e controlo da actividade comercial do BPC prevê-se ser concluídas em 2018, garantiu o presidente do BPC.

O Banco de Poupança e Crédito é detido pelo Estado, com 75% do capital social, pelo Instituto Nacional de Segurança Social (15%) e pela Caixa da Segurança Social das Forças Armadas, com os restantes 10%.

O BPC fechou o ano de 2016 com um prejuízo de 29,5 mil milhões de kwanzas (177 milhões de dólares), devido à necessidade de constituir provisões para cobrir imparidades resultantes de créditos de cobrança duvidosa.

A Recredit, detida integralmente pelo Estado, com os poderes e obrigações do Estado a serem exercidos pelo Ministério das Finanças, foi concebida no quadro da recuperação do Banco de Poupança e Crédito e viu, em Dezembro último, por decisão presidencial, a sua missão ser alargada a toda a banca angolana.  (Macauhub)

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