Apoio do FMI deverá obrigar governo de Moçambique a adoptar medidas impopulares

10 October 2017

A dependência de Moçambique do financiamento externo deverá forçar o governo a adoptar algumas medidas políticas impopulares a fim de voltar a obter o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmam os analistas da Economist Intelligence Unit (EIU) no seu mais recente relatório sobre o país.

O documento salienta que a falta de vontade de introduzir medidas de austeridade antes das eleições de 2019 poderá tentar o governo a ir adiando o relançamento do programa de apoio por parte do FMI, mas acrescenta que a crise de liquidez que se tem vindo a agravar acabará por fazer com que essa postura tenha de ser revista.

Esta posição deriva do facto de o governo continuar a resistir às exigências apresentadas pelo FMI para transparência total, nomeadamente com a divulgação total do relatório produzido pela empresa de consultoria Kroll Associates UK às dívidas ocultas, bem como com a adopção de uma política fiscal mais restrictiva, concluíndo a EIU que um acordo com o FMI não deverá ter lugar em 2018.

A crise da dívida não terá uma solução rápida, dizendo os analistas da EIU que a solução mais provável será a junção das três dívidas no montante de 2000 milhões de dólares numa única, com os credores a serem obrigados a perder parte do seu investimento e com a amortização dos empréstimos, em incumprimento desde Fevereiro de 2017, a ser empurrada para depois de 2020.

O calendário para o alcance de uma solução, qualquer que ela seja, é ainda mais incerto, devendo os tomadores de dívida pública moçambicana exigir, à semelhança do FMI e dos doadores internacionais, a divulgação total do relatório da Kroll Associates UK.

A economia de Moçambique, que deverá começar a acelerar este ano devido ao aumento dos preços das matérias-primas que Moçambique exporta, caso do carvão, deverá registar um crescimento a oscilar entre 4,2% em 2017 em 5,6% em 2022.

A consolidação fiscal continuará a limitar o crescimento nos serviços e na construção civil, áreas habitualmente dependentes dos contractos governamentais, se bem que os empresários efectuem alguns investimentos privados à medida que a confiança recupere.

A indústria do gás deverá vir a ser um factor de grande desenvolvimento da economia de Moçambique, com os projectos dos blocos Área 1 e Área 4 na bacia do Rovuma, norte do país, mas a sua complexidade e valores de investimento necessário deverão fazer com que a extracção de gás natural e posterior processamento e liquidificação venha a ter início depois de 2022. (Macauhub)

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