Défice orçamental de Angola deverá reduzir-se para 5,9% do PIB em 2018, EIU

28 November 2017

O défice orçamental de Angola deverá reduzir-se ligeiramente para 5,9% do Produto Interno Bruto em 2018, depois de este ano dever atingir um valor estimado em 6,9% do PIB, afirma a Economist Intelligence Unit (EIU), no seu mais recente relatório sobre o país.

O documento adianta que embora a palavra de ordem seja a diversificação económica, o desempenho do sector petrolífero continuará a ter um impacto substancial no equilíbrio orçamental para os anos de 2019 a 2022.

Atendendo a que as pressões no sentido de realização de despesa pública se mantêm elevadas, o défice orçamental neste conjunto de quatro anos deverá atingir uma média anual de 6,5% do PIB.

No entanto, na segunda metade do período em análise o défice deverá ter tendência a baixar de valor, devido ao aumento dos preços do barril de petróleo, que se espera venha a ser superior em 5% ao valor registado ao longo deste ano, mas ainda bastante longe do preço de 85 dólares necessário para que o orçamento seja equilibrado.

O relatório da EIU recorda ter o governo autorizado o ministro das Finanças a proceder à emissão de euro-obrigações até dois mil milhões de dólares, depois de uma emissão inicial de 1500 milhões de dólares, mas não deliberou sobre um calendário para essa emissão, que ainda não se realizou.

O antigo (2010/2015) governador do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, regressou ao banco central pela mão do actual Presidente João Lourenço, tendo conseguido durante o seu mandato estabilizar a taxa de câmbio e reduzir para valores historicamente baixos a taxa de inflação, vaticinando os analistas da EIU que esses dois objectivos se manterão centrais.

Os analistas antecipam o aumento das taxas de juro na primeira metade do período em análise (2017/2022), atendendo aos efeitos sobre os preços da fraqueza da moeda nacional, o kwanza.

Recordam, no entanto, que o Presidente da República tem a palavra final sobre as políticas fiscal e monetária, devendo o banco central ser alvo de alguma pressão política no sentido de adoptar uma política monetária menos rígida caso as taxas de crescimento da economia não recuperem no curto a médio prazo.

A previsão para o crescimento económico da EIU é que Angola registe este ano uma taxa de 2,7%, antes de voltar a cair para 2,4% em 2018 e 2019, aumentar nos dois anos seguintes para 2,5% e 2,7%, para atingir no final do intervalo analisado uma taxa de 3,0%. (Macauhub)

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