Vale Moçambique desiste da linha do Sena e do porto da Beira para exportar carvão

4 December 2017

A Vale Moçambique, subsidiária do grupo brasileiro Vale, vai deixar de utilizar a linha de caminho-de-ferro do Sena e o porto da Beira as suas exportações de carvão mineral, que ficarão concentradas no Corredor Logístico de Nacala (CLN) e respectivo porto de águas profundas, disse o presidente da empresa.

Márcio Godoy declarou ao matutino Notícias, de Maputo, à margem da cerimónia de assinatura dos contratos de financiamento do CLN, que a empresa pretende aumentar de 12 milhões de toneladas este ano para 17 milhões ou 18 milhões de toneladas em 2018 o carvão a exportar, “quantidade que pode muito bem ser acomodada no CLN.”

A linha de caminho-de-ferro do Sena e o porto da Beira dispõem de capacidade para escoar cerca de 20 milhões de toneladas por ano mas o canal de acesso ao porto só pode acomodar navios até 40 mil toneladas de arqueação bruta, necessitando além disso de operações de dragagem quase permanentes devido ao assoreamento que se regista.

Márcio Godoy adiantou ao jornal que o porto de águas profundas de Nacala tem capacidade para receber navios até 180 mil toneladas, “algo que é muito mais vantajoso para a Vale Moçambique.”

“Pretendemos começar a exportar 18 milhões de toneladas de carvão por ano, quase a mesma capacidade que existe no porto da Beira, pelo que é para nós vantajoso usar o porto de Nacala devido à maior capacidade dos navios que ali podem atracar”, referiu o presidente do Conselho de Administração da Vale Moçambique.

O grupo mineiro Vale e o grupo parceiro Mitsui & Co assinaram na semana passada um acordo de financiamento deste projecto, que contou com a participação de membros do governo e entidades financiadores, nomeadamente Banco do Japão para a Cooperação Internacional e Banco Africano de Desenvolvimento, entre outras.

Com a assinatura dos acordos, estão criadas as condições necessárias para que a Vale e a Mitsui viabilizem os trabalhos de melhoramento do Corredor Logístico de Nacala, através de intervenções na linha, aquisição de material circulante, nomeadamente vagões, locomotivas e outro equipamento para o manuseamento de carga. (Macauhub)

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